Wadih Damous: O Brasil rumo ao abismo neoliberal

Documento ‘Ponte para o futuro’ indica o plano do futuro governo golpista de Temer e nele consta todo o receituário neoliberal, sem subterfúgios ou eufemismos linguísticos

Por cadu.bruno

Rio - Infelizmente, o Brasil caminha em direção ao abismo social do neoliberalismo. O documento ‘Ponte para o futuro’ indica o plano do futuro governo golpista de Michel Temer e nele consta todo o receituário neoliberal, sem subterfúgios ou eufemismos linguísticos.

A proposta acaba com a vinculação constitucional dos gastos com saúde e educação; implode a política de valorização automática do salário mínimo (expressiva conquista dos trabalhadores) e deixará a cargo do Parlamento (isso mesmo) o arbítrio dos reajustes em “nome da sociedade”; concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura para a iniciativa privada; ataque à CLT por meio da prevalência da convenção coletiva sobre as normas legais; revisão periódica dos programas sociais e o retorno de acordos regionais com a antiga ALCA, em detrimento do fortalecimento do Mercosul.

Todos esses itens compõem um retorno do país ao neoliberalismo profundo. Importante recordar que foi essa mesma opção econômica que dilapidou o patrimônio público no final dos anos 90 do século passado, vendeu a Vale do Rio Doce a preço de banana e trouxe o desemprego e a retirada de direitos como trágico cotidiano dos trabalhadores. Válido lembrar que foi a luta contra o neoliberalismo quem barrou a implantação da ALCA e elegeu uma série de governos de cariz democrática e popular na América Latina que só foram retirados mediante golpes de estado. Em Portugal, Espanha e Grécia o neoliberalismo destruiu a cidadania e corroeu o tecido social.

O neoliberalismo pressupõe o desmonte do Estado para atender o grande capital financeiro e só se sustenta com intensa repressão policial. Os estados do Paraná, governado por Beto Richa, São Paulo, por Alckimin, assim como o Pará de Almir Gabriel são exemplos de como o exercício da cidadania e as lutas sociais são tratados pelos neoliberais.

Tempos trágicos para o Brasil se anunciam. No entanto, para a classe trabalhadora e para todos aqueles que acreditam na democracia como uma travessia que erige a dignidade da pessoa humana ao centro da decisão política, a história é feita de lutas e utopias. Hoje e nos próximos dias, mais do que nunca, elas serão imprescindíveis.

Wadih Damous é cientista político

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