Dimas Gadelha: A arte de fazer mais com menos na Saúde

Criatividade, troca de experiência, inovação e acima de tudo estabelecer fortes parcerias pode ser a melhor saída

Por thiago.antunes

Rio - Para um governo que assume em meio a uma grave crise política e ergue a bandeira da salvação nacional, é simplista o discurso do ministro da Saúde, Ricardo Barros, para o caos da assistência médica na rede pública.

O ministro afirmou recentemente não ter mais recursos para a pasta, o que não é nenhuma novidade, e empurrou para prefeitos e governadores a tarefa de tocar o sistema, administrando com o pouco que se tem.

Manter a austeridade, em um momento de caos nas finanças, é dever do Estado. Mas só isso não basta. É preciso ir mais além. Dizer, por exemplo, como e quando os agentes públicos podem fazer mais com menos é o primeiro passo. 

A saída poderia ser a promoção de seminários nacionais, reunindo secretários de Saúde de várias cidades que trouxessem ideias bem-sucedidas para dividir com os seus colegas. Criatividade, troca de experiência, inovação e acima de tudo estabelecer fortes parcerias pode ser a melhor saída para crise.

Como médico e secretário de Saúde de São Gonçalo, cidade com mais de um milhão de habitantes na Região Metropolitana do Rio, não fazemos nada em nossa gestão senão valorizar cada centavo dos recursos, direcionado-os às áreas mais problemáticas.

Em que pese a escassez de verbas, hoje nos orgulhamos de ter uma maternidade pública que aumentou o número de partos de 90 para 400 ao mês, da criação do Espaço Vida, do ambulatório para pacientes com HIV, além da ampliação do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) que atende mais de 500 pacientes ao mês, do consultório na Rua, do recém- inaugurado Centro Municipal de Imagem, o primeiro do Estado.

Enfim, são ações na atenção básica de sucesso que reduziram as demandas para os hospitais.
Mas o ministro tem razão. Não é só falta de recursos. É preciso boa gestão. Nós desenvolvemos um projeto que está dando certo em São Gonçalo. Acreditamos que colegas de outras regiões também tenham boas experiências. Por isso, é preciso deixarmos as diferenças políticas de lado e nos unirmos para disseminação dessas boas ideias.

Quem sabe com um pouco de cada criamos um modelo de gestão que se adeque às necessidades de cada cidade e damos, enfim, dignidade à expressiva faixa da população que há décadas agoniza com o estado de penúria da saúde pública.

Dimas Gadelha é médico sanitarista e secretário de Saúde de São Gonçalo

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