Rio - O Estado do Rio vive hoje uma das piores crises da sua história. Estamos caminhando para um processo de convulsão social que só será revertido se o estado conseguir ajuda imediata do governo federal. E, paralelamente, fizer o dever de casa. Doa a quem doer!
Precisamos voltar a honrar com o pagamento do funcionalismo, que há mais de um ano não sabe o que é receber em dia. A Cedae é a única garantia aceita pelos bancos em troca do crédito imediato de R$ 3,6 bilhões.
Agora, com a venda da Cedae aprovada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o governador terá, finalmente, condições de colocar em dia salários e benefícios do funcionalismo e, de quebra, voltar a ter data de pagamento pré-agendada.
Essa operação dará a suspensão do pagamento das dívidas por três anos, com resultado positivo de R$ 64 bilhões. O estado poderá negociar o recebimento da Dívida Ativa, hoje superior a R$ 60 bilhões. Não dá para prolongar mais as respostas que a população tanto espera. O governo precisa mostrar coragem e competência.
A lucratividade da Cedae, uma empresa de economia mista, é outra fantasia. Os que são contra a privatização alegam que a companhia lucra R$ 300 milhões. Mas se esquecem de dizer que saem dos cofres públicos mais de R$ 3 bilhões para custear adutoras, reservatórios e estações de tratamento, além de pagar dívidas contraídas para investimentos na área. Então que lucro é esse, se os grandes investimentos são feitos pelo estado? É a velha máxima: fazer bonito com o chapéu alheio.
E como não tem almoço de graça, só mesmo as tetas do governo para permitir que o discurso da lucratividade mascare a situação decadente da Cedae. Pergunte à população da Baixada, de São Gonçalo e Itaboraí e da Zona Oeste, qual é a qualidade dos serviços.
Na verdade, a Cedae serviu durante anos para satisfazer a interesses pessoais nada republicanos. Dar a companhia em garantia dessa megaoperação vai possibilitar, a curtíssimo prazo, regularizar salários, retomar serviços públicos, em especial das áreas de saúde, educação e segurança, e usar recursos da Dívida Ativa para investimentos em nosso estado.
Milton Rangel é deputado estadual pelo DEM