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Por Luís Pimentel Jornalista e escritor

Sambista imortalizado num samba de Moacyr Luz e Aldir Blanc ("Gênio da raça, Carlos Cachaça, dos Arengueiros a fina flor/Gênio da raça, Carlos Cachaça, da verde e rosa o embaixador"), Carlos Moreira de Castro criou um estilo de fazer poesia para letras de música, de fazer letras para músicas de Cartola, de consumir cerveja em doses industriais e mesmo assim ficar conhecido com o apelido de "Cachaça", e criou até uma escola de samba. É um dos fundadores da fundamental Estação Primeira de Mangueira, que há 90 anos (desde 1928) vem recriando a magia própria de fazer carnaval e fez com que duas cores tão aparentemente distantes - o verde e o rosa - se dessem tão bem.

Carlos Cachaça nasceu num mês de agosto, no dia 3, no ano de 1902. Num agosto se despediu da vida, deixando os amigos e fãs a cantar "Alvorada lá no morro, que beleza/Ninguém chora, não há tristeza". Foi num dia 16, em 1999, e faltavam três anos para o seu centenário.

Criado nas redondezas da Mangueira, desde cedo o menino Carlos começou a frequentar blocos de carnaval e rodas de samba. Nos anos 1920 conheceu o parceiro e amigo da vida inteira Agenor de Oliveira, o Cartola, que se tornaria um de seus cupinchas, ídolo e fã mais constantes. Em 1925 formou, junto com Cartola, Arturzinho, Zé Espinguela e outros bambas, o Bloco dos Arengueiros - de cujo núcleo saíram os fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mangueira, depois Estação Primeira.

Carlos Cachaça compôs pouco - gostava mais de viver. Também foi pouco interpretado pelos cantores da era do rádio. 'Não quero mais amar a ninguém' (com Cartola e Zé da Zilda) é uma exceção: mereceu gravação grandiosa de Aracy de Almeida, em 1937, e regravação do mesmo nível por Paulinho da Viola, em 1973. Foi exatamente a partir da década de 1970 do século passado que vários dos seus sambas passaram a ser "redescobertos". O único disco solo desse mestre do samba e da vida é de 1976. Inclui joias raríssimas como 'Quem me vê sorrindo' (com Cartola) e 'Juramento falso'.

Pesquisadores da nossa música garantem que Cachaça foi o primeirão, entre os compositores, a inserir elementos históricos nos sambas de enredo. Isto hoje é moda. E modismo.

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