Educação infantil, infância e sociedade

Por Eugênio Cunha Professor e jornalista

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Ouvi de um educador: "cada criança que a escola perde é um custo para a sociedade".

Essa afirmação não nasce do acaso, pois na infância inicia-se o desenvolvimento do sujeito de direitos e deveres. Nesse período, são projetadas atividades adultas da cultura, que pressupõem futuros papéis e valores.

A criança vai descobrindo princípios de conduta comportamental que estarão presentes por toda a sua vida, nas trocas sociais, nas brincadeiras e na convivência.

Quanto mais o contato social é rico, mais são estimuladas áreas importantes do desenvolvimento. Daí a estreita relação da infância com a educação infantil, que é um campo de experiências do lúdico, do sentir, do perceber, para a formação do adulto.

Hoje, 25 de agosto, é comemorado o Dia Nacional da Educação Infantil. A data, estabelecida pela Lei Federal 12.602/12, é uma homenagem ao nascimento da fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns, falecida em 2010.

Acredito que podemos ver essa data também como uma homenagem às mulheres, absoluta maioria no quadro docente da educação infantil, etapa primeira da Educação Básica, que inclui o ensino fundamental e o médio, cujo objetivo é o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.

O estabelecimento de uma data comemorativa pode inspirar reflexões sobre algumas demandas do ensino no Brasil, tais como o acesso e a permanência dos alunos no sistema educacional. Estudos mostram que quanto mais cedo ocorre o ingresso na escola, melhor é o desempenho do estudante ao longo da sua vida.

As questões da qualidade do ensino vão desde a formação para o trabalho docente à estrutura das escolas, que precisam ter áreas para que meninos e meninas possam ampliar suas relações sociais na interação com o outro, fazendo descobertas, expressando-se nas mais variadas formas do brincar.

A escritora Lya Luft, certa feita, escreveu que a criança faz algo mais que pensar; faz também algo mais importante, que amadurecendo desaprendemos: ela é. Ao contemplar uma mancha na parede, um inseto no capim ou a revelação de uma rosa, ela não está apenas olhando.

Nessa importante fase da educação escolar, desejo que as professoras sejam, de fato, reconhecidas e estimadas pela relevância do seu papel ético e humano e, acima de tudo, que as crianças sejam felizes.

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Eugênio Cunha, colunista do DIA Divulgação

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