opinião 19 dezembro de 2018 - arte o dia
opinião 19 dezembro de 2018arte o dia
Por Célio Lupparelli Pres. da Com. da Criança e Adolescente da Câmara de Vereadores.

Sou da época em que quando se perguntava a uma criança o que ela queria ser quando crescesse, boa parte respondia: professora. Hoje, quando se faz a pergunta, não são poucos os meninos e meninas que dizem querer ser youtubers. E muitos já são. Nada contra a tecnologia que traz mudanças até positivas na sociedade. Mas há algo de muito preocupante quando nos deparamos com a pesquisa Global Teacher Status Index 2018 (ou índice global de status do professor, em tradução livre), que coloca o Brasil em último lugar entre os países que mais valorizam o professor. O estudo foi realizado em 35 países pela Varkey Foundation.

A pesquisa procurou identificar como o emprego de um professor dos ensinos fundamental e médio era comparado a outras profissões, levando em conta o valor para a sociedade. Em uma lista de 14 ocupações, o professor ficou em sétimo lugar, na média de todos os países. Em países como China, Malásia e Rússia, a importância do professor equivale à de um médico.

Ensinar e aprender fazem parte da natureza humana, e o processo de formação dos cidadãos ocorre desde o nascimento, através de ações contínuas que organizam a forma de ser de uma sociedade. Neste contexto, o profissional da Educação ocupa o lugar central, cumprindo a tarefa de cuidar da formação dos que chegam até a escola. Que cidadãos iremos formar quando nossos governantes sucateiam a Educação a ponto de fazê-la perder cada vez mais espaço e interesse de crianças e jovens que idolatram youtubers, muitos dos quais lhes entopem de conhecimentos tolos? Hoje, 47% das crianças gastam mais de três horas com aparelhos eletrônicos, em boa parte dos casos smartphones, segundo pesquisa recente da revista Crescer.

Uma nação só se torna forte, promove justiça social e reduz as desigualdades, quando investe em Educação. Para isto, é fundamental que valorize os profissionais de ensino, a participação ativa da comunidade escolar e invista em infraestrutura.

A nação que assim se comporta vê, no professor, a mola propulsora da ascensão social e o valoriza do ponto de vista salarial. O respeito ao mestre no seio da sociedade se reflete na questão remuneratória. O estudo da Global Teacher chegou à conclusão de que uma melhor remuneração e um melhor status social são fundamentais para alcançar melhores resultados.

No Brasil, temos evasão de professores para outras atividades e redução de jovens que procuram preparo para o Magistério. Esse cenário só tende a se agravar. A grande arma que se deve usar para se promover a transformação em um país como o nosso é um investimento significativo na educação escolar e isso passa, necessariamente, pela valorização do professor nos campos financeiro e social.

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