Negócios com a China

Por Wagner Victer Secretário Estadual de Educação

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A expressão "Negócio da China" surge de nossa tradição popular como algo que seja muito lucrativo ou até maravilhoso, o que bem se coloca no contexto econômico atual dos investimentos chineses que se espalham no mundo, em especial que migram para o nosso país.

Nossas relações com a China são antigas e derivam desde o Século 19 quando recebemos uma relevante imigração chinesa que inicialmente se localizou nos bairros da Ilha do Governador e Jardim Botânico. Vieram para plantar chá com o foco de atender a demanda da Corte Portuguesa, aliás, operação que não teve muito sucesso. Já no Século 20 o foco da imigração foi para o comércio.

Atualmente os tempos são outros! Com um planejamento centralizado potencializado por mão de obra barata, um grande mercado consumidor interno, uma política de comércio internacional agressiva e com investimentos maciços em tecnologia, o processo em curso de credenciamento contínuo foi consolidado nas últimas décadas, agora sob a forte liderança do Presidente Xi Jinping, levará possivelmente nos próximos anos a China ao patamar mais alto na economia mundial.

O Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, onde temos cerca de 30 mil chineses, tem recebido grande parte dos investimentos da China e onde tem se instalado a sede grandes empresas, como a gigante State Grid no setor de transmissão elétrica, porém já existem participações significativas de empresas chinesas em diversas áreas como no Aeroporto Internacional do Galeão, no Comperj, em Itaboraí, na produção de campos de petróleo e até em empresas de construção pesada e de engenharia!

Em breve, fabricantes de painéis solares e até fabricantes de equipamentos de telefonia poderão aqui desenvolver suas unidades fabris e seus escritórios comerciais.

Tenho nos últimos anos, a partir de uma dinâmica local, estabelecido uma estreita parceria através do competente e atuante cônsul no Rio de Janeiro, Li Yang, e por um dos mais importantes centros culturais com a China, pela professora Yuan Aiping, e observado de perto a forma decisiva como os chineses buscam alavancar os investimentos em nosso país, em especial em nosso estado.

Na própria área cultural a presença tem sido relevante, e em breve o Palacete Modesto Leal, em Laranjeiras. será restaurado para abrigar o novo Consulado Chinês.

No campo de educação além de uma Escola Estadual (CE Matemático Joaquim Gomes de Sousa) que temos em Niterói, que ficou entre os melhores índices de Ideb do Estado com o ensino do mandarim e também com foco na matemática, em breve na Barra da Tijuca existirá uma escola chinesa que suportará o ensino para filhos de executivos chineses e outros interessados na língua e no conceito da educação chinesa.

Não há a mínima dúvida que o estreitamento de relação com a China é uma importante ação no campo econômico, na cultura, na educação e até no esporte. Temos no país, ainda, muitos desafios neste processo de aproximação, desde a suspensão de burocracias diplomáticas como exigência do visto para a entrada no Brasil para chineses visitarem o Brasil, o que alavancará nosso turismo a um investimento de maior conhecimento da cultura chinesa passado pelo aumento do intercambio de nossos jovens com universidades chinesas já que os princípios de confiança com a China se desenvolvem lentamente a partir de atitudes, posturas e respeito.

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ARTE O DIA
Wagner Victer, colunista do DIA Márcio Mercante

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