Rio, já tivemos dias de glória

Por Ana Egito Cantora e compositora

Ana Egito
Ana Egito -

No camburão?! É isso aí, todo mundo no camburão!

Assim foi a minha primeira vez, graças ao Tiozão, pai de uma amiga que depois de muita ladainha dos "aborrescentes", que queriam de qualquer maneira assistir as atrações do Rock'in Rio, e esse foi o jeito que encontrou para colocar todo mundo em segurança lá dentro, no coração da Nina Haggen, aos pés do Yes, na boca do Queen, na língua de Fred Mercury, na explosão do Iron Maiden, AC/DC, saboreando All Jarreau e George Benson, dançando com Lulu e amando Rita Lee.

Essas são portas que se abrem e nunca se fecham, nos oferecem uma gama de benefícios que vão além da imaginação, pois são as manifestações culturais, como os festivais e os shows que agregam, pacificam, elevam o espírito através da arte, esta poderosa forma de trazer conhecimento sobre as mudanças que transformam a sociedade.

O Rio, berço de inesquecíveis festivais como o Free Jazz Festival, Tim Festival, Close Up Planet Festival, Rock'n Rio (o único que sobrevive), Alternativa Nativa, Hollywood Rock, que reunia um enorme número de espectadores de tribos diversas, do Jazz ao Rock'n Roll, teve seus dias de glória com artistas do melhor cenário musical nacional e internacional, influenciando assim, uma geração de novos artistas que beberam dessa rica fonte.

Hoje, a 'Cidade Maravilhosa' respira um certo ar viciado de uma música plástica que não se perpetua, deixando poucas opções para o ecletismo, artistas oriundos de uma época fértil, não tão distante, que buscam espaços que recebam seus trabalhos, mais que isso, anseiam por um público que se encontra acuado. Deixamos de ser iluminados?

Penso que a tal resistência deveria estar presente entre todos que da arte se ocupam. Assim como uma andorinha só não faz verão, é preciso que o bando se junte novamente, para que a criatividade seja plena, ou viveremos dias ainda mais escuros, onde pastores recolhem suas ovelhas e o pasto seja restrito somente ao seu gado.

E os velhos festivais? Os encontros que descobriram tantas bandas? O desbravador Circo Voador, com um palco repleto de um sons inéditos, recheados de puro rockn roll e tantos outros sons? Passeando pelo Canecão, Crepúsculo de Cubatão ou Garage, celeiros do rock carioca.

Lulu Santos, Blitz, Cazuza e o Barão Vermelho, Erasmo Carlos e, por que não lembrar?, o furacão Tim Maia traduziram o espírito alegre e acolhedor desta cidade dos sonhos. Quem não queria pousar aqui, chegar abraçado pelo Cristo Redentor? Loucura, loucura, que lindo!

A economia, empresários, Prefeitura, governo estadual e nostálgicos precisam não se render e criar uma linha de frente urgente, um "SOS", um plano "B", trazer de volta aquele Rio, que nos apresentava em 1ª mão e nos brindava com incríveis shows, do Leme ao Pontal, não há nada igual. Éramos felizes e sabíamos...

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