Pedro Lacerda: Mais do que diversão, jogos na educação e profissão

Diversas escolas no Brasil já usam jogos para ensinar matemática, português e outras matérias

Por O Dia

Mais do que diversão, jogos na educação e profissão
Mais do que diversão, jogos na educação e profissão -
Rio - Jogos eletrônicos, já faz algum tempo que os famosos videogames deixaram de ser uma mera forma de entretenimento infantil, se é que realmente foram. De acordo com uma pesquisa realizada pela Globaldata, o mercado de videogames pode atingir o valor de pelo menos US$300 bilhões até 2025, em 2018 a indústria gerou US$131 bilhões se tornando mais lucrativa do que o mercado de filmes e música juntos. Esses números são uma mera ilustração daquilo que os apaixonados, e os somente interessados, por jogos sabem há muito tempo: jogos são mais do brinquedo de criança. Mas o que isso quer dizer?

Claro, diversos jogos são voltados para um público adulto, como a classificação indicativa nas caixas e tão ignorada por algumas pessoas diz. Porém, jogos são uma ótima forma de educar, tanto crianças quanto adultos. Diversas escolas no Brasil já usam jogos para ensinar matemática, português e outras matérias. Fora o jogos criando especialmente para educação, os diversos gêneros disponíveis brincam com assuntos que não só podem servir para auxiliar no ensino de história, físicas e tantas outras, como também pode despertar interesses desconhecidos nos alunos.

A franquia Assassin’s Creed apesar de tomar diversas liberdades narrativas com a história da humanidade, se atém a épocas e grandes acontecimentos históricos. Já No Man’s Sky é um jogo de aventura espacial no qual o jogador precisa recolher recursos para manter a sua nave, seu equipamento e tudo que auxilia a sobrevivência durante a exploração de novos mundos. Talvez o exemplo mais conhecido de jogos despertando interesses de crianças seja Minecraft, um jogo no qual o objetivo é criar de acordo com a sua imaginação, seja um casebre ou cidades inteiras com sistemas elaborados de eletricidade, plantações, pecuária e o que mais vier à mente.

Apesar de uma ótima ferramenta de ensino, jogos podem ir muito além. Algumas universidades dos Estados Unidos já oferecem bolsas de estudos para jogadores de e-sports, que são os campeonatos de videogames como League of Legends (LoL), Overwatch, Counter Strike e muitos outros. No ano passado, em parceria com a Universidade da Califórnia, Berkeley, a Riot Games, desenvolvedora de League of Legends, anunciou a criação de um bolsa de estudos para jogadores profissionais. Parecido com as bolsas jogadores de futebol americano, basquete e outros esportes.

Para a maioria das pessoas abaixo de 30 anos e com acesso à computadores e a internet enquanto cresciam, amizades virtuais são quase impossíveis de serem evitadas. Essas chances dobram quando falamos sobre jogos que exigem a cooperação e comunicação dos jogadores, uma geração inteira criada com a disposição de interagir com o máximo de pessoas o possível. E então temos os grandes eventos focados no mundo dos jogos, antes limitados a pequenas áreas dentro de eventos de anime, agora ocupam alguns dos maiores centros de convenções e complexos do Brasil.

Só em 2018 a Brasil Game Show em São Paulo atraiu um público de 325.780 pessoas durante os cinco dias de evento, com palestras, mostras e stands voltados totalmente ao universo dos jogos eletrônicos. Qualquer pessoa que vá a um evento que seja, sabe que é virtualmente impossível sair sem fazer alguma amizade. Eventos como esse são cercados por um enorme senso de comunidade, gostos que algumas décadas atrás eram brincadeira de criança agora representa uma indústria bilionária.

Eventos como esse são apenas uma parcela do nível de atração dos brasileiros pelos games, no Brasil campeonatos de LoL são extremamente populares, em 2014 o Maracanãzinho foi lotado por 8 mil pessoas na final do Campeonato Brasileiro de LoL, e em 2018 foram 3 mil fãs ocupando o Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre. A profissão de pro-player (jogador profissional) já é o desejo de muitos jovens, além de envolver as paixões, também é muito lucrativa. Ano passado no Campeonato Mundial de League of Legends, o time chinês Invictus Gaming foi o grande campeão e conquistou o prêmio de US$ 843, deixando a equipe europeia da Fnatic em segundo lugar com a premiação de US$ 303 mil. Atualmente os jogos de videogame são estradas para diversas jornadas, seja o aprendizado através dos jogos, aprender e desenvolver jogos ou viver de jogá-los.

Semelhante com outros lugares do mundo, ser um jogador profissional é cada vez o sonho de mais jovens. Foi pensando nisso que o Grupo Cultural AfroReggae criou o primeiro centro de formação de atletas de e-sports em favelas do mundo. Localizado no Centro Cultural Waly Salomão em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, o AfroGames dá a oportunidade de 60 alunos da comunidade a terem aulas nos jogos mais populares do circuito profissional (LoL, Dota 2 e Counter Strike). Dando a possibilidade para que essas crianças tenham chance e preparo de entrar em grandes times e campeonatos. Além das alunas focadas nos jogos, os alunos ainda recebem aulas de inglês.

Como qualquer outra forma de ensino e profissão, não só mil maravilhas, os jogadores profissionais sofrem física e mentalmente, os jogos precisam ser bem selecionados para educação pretendida e criar jogos ainda é uma indústria que rende bilhões para as empresas, mas raramente as pessoas que trabalham no dia a dia do desenvolvimento recebem uma parte sequer desses lucros. Porém, ainda é uma ótima forma de desenvolver a mente, encontrar representações das paixões, e quem sabe, ser campeão do seu jogo favorito.
Pedro Lacerda é jornalista

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