Marcus Tavares: As narrativas da publicidade nos dias de hoje

Hoje, as marcas sabem o quanto o cidadão é o principal ‘vendedor’ de seus produtos. Um deslize, uma palavra mal colocada e uma mentira têm efeitos devastadores e instantâneos

Por O Dia

Marcus Tavares, colunista do DIA
Marcus Tavares, colunista do DIA -
Rio - Participei, recentemente, aqui no Rio, de um congresso sobre produção de conteúdo e criatividade. De todas as palestras que pude acompanhar, as ligadas às áreas da publicidade foram as que mais chamaram atenção. Por quê? Porque a publicidade, sem dúvida alguma, encanta com suas narrativas e inovações. Atualmente, várias marcas vêm investindo na criação de sensações e experiências. Lógico que tudo é para atrair o consumidor. Não vejo problema nisso desde que a publicidade das marcas seja cada vez mais responsável, não apenas sob o ponto de vista da sustentabilidade, mas também do consumo consciente, do respeito às diferenças e às desigualdades e do diálogo voltado exclusivamente para o jovem, adulto e/ou
idoso, deixando de lado as crianças. Hoje, as marcas sabem o quanto o cidadão é o principal ‘vendedor’ de seus produtos. Um deslize, uma palavra mal colocada e uma mentira têm efeitos devastadores e instantâneos.

Com todo este cuidado, algumas empresas vêm se organizando e trabalhando. No festival de música Lollapalooza 2019, que aconteceu em São Paulo, uma empresa de refrigerantes criou um espaço totalmente interativo. O público era convidado a participar da produção de um videoclipe de autoria própria. O filme, em torno de 30 segundos, era gravado por uma equipe e em instantes já estava disponível para ser compartilhado nas redes sociais. Em outro estande, uma concessionária de carro oferecia a possibilidade de os participantes cantarem/fazerem o seu som, levando para casa um vinil gravado com a performance.

Além das experiências, a criação de novos formatos é uma busca cada vez mais constante e frenética das marcas neste imenso caleidoscópio audiovisual/digital que se transformou o mundo. E o que se diz é que boa parte destes conteúdos, interativos ou não, estão nas ruas. É o que se chama de publicidade em mobiliário urbano, conhecida mundialmente pela sigla OOH (out of home). É a propaganda que vemos nos relógios de rua, nos trens, metrô, em painéis de aeroportos, abrigos de ônibus e totens. Trata-se de uma estratégia muito mais potente do que um comercial de TV. A explicação, segundo a agência JCDecaux, está no fato de que tal publicidade tem 24 horas de visibilidade, está localizada em áreas de alto fluxo, é pensada para se integrar à estética das cidades e permite uma atualização constante.

Uma das experiências mais interessantes é da companhia aérea British Airways, por meio da agência Ogilvy. Bem ela não é tão recente assim, data de 2013. A companhia colocou outdoors digitais em várias partes de Londres, informando, em tempo real, o número e o destino dos aviões, no exato momento em que as aeronaves passavam por cima dos outdoors. Na propaganda, amplamente divulgada, uma criança se levanta, olha para cima e aponta para o céu no exato momento em que o avião passa. Pesquisa no Google para ver!

Além desse investimento em OHH, várias agências também vêm pensando e desenvolvendo formatos audiovisuais numa tela de 9 X 16. O que isso significa? É a tela do seu celular e em pé! Sim, produção audiovisual neste formato, nada que deitar o aparelho. Algumas marcas estão produzindo materiais para este tipo de consumo, já que o mobile é uma das tecnologias mais usadas pela população mundial. Novas e instigantes narrativas estão a caminho.
Marcus Tavares é professor e jornalista
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