Marcelo Alves Ferreira: Bem-vindo ao extremo norte do país

Como muitos míopes, de uma grande cidade, criei um imaginário irreal e caricato sobre a cidade e as pessoas

Por Marcelo Alves Ferreira*

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Estou muito afastado da escrita nos últimos tempos, mas hoje consegui um tempo para fazer um relato da experiência que vivenciei em Roraima no começo do mês. Para dar início a esta escrita, deixo aqui o meu pedido de desculpas. Havia em mim um preconceito forjado pela ignorância sobre a cidade de Boa Vista do Rio Branco e sua população. Como muitos míopes, de uma grande cidade, criei um imaginário irreal e caricato sobre a cidade e as pessoas. Porém, ao chegar aqui, PIMBA! Caí do cavalo. A cidade é bem organizada e o seu povo capacitado, trabalhador, versátil, receptivo e muito gentil com os visitantes.

A minha estada por lá tinha o objetivo de participar do credenciamento do ensino e aprendizado digital (EAD) da instituição para qual trabalho e, logo ao chegar, percebi na mesa ao lado, no restaurante onde estava almoçando, um rosto familiar. No primeiro momento, pensei na possibilidade de que seria alguém da instituição, que por ventura não tivesse muito contato e, por isso, não o reconheceria de bate pronto, mas minutos depois lembrei o nome do rosto de quem eu havia reconhecido. Era o empresário Carlos Wizard, bilionário que trocou São Paulo por Roraima para ajudar migrantes venezuelanos. Ele é mórmom e veio cumprir uma missão da igreja na administração de uma rede de acolhida aos venezuelanos e transferência destes migrantes para outros estados visando aumentar suas oportunidades e evitar a sobrecarga na cidade. Logo de início, eu percebi que me surpreenderia com a região nestes seis dias que se iniciavam.

Como todos sabem, a crise da Venezuela é grave, mas a forma com que o povo daqui lida com isso é muito bacana. Lógico que parte da população começa a olhar para os venezuelanos como um problema que o Brasil não precisava resolver, a rede de saúde local está mais de 60% absorvida pelos imigrantes e o número de pessoas na rua aumenta a cada dia. O Exército brasileiro faz um trabalho valioso nos acampamentos e presta ajuda humanitária aos recém-chegados. O Centro Universitário Estácio da Amazônica também participa desta jornada com Operação Acolhida que envolve alunos, professores e a comunidade, por meio do voluntariado acadêmico nas áreas de nutrição, fisioterapia, enfermagem, letras e muitas outras. Além dos assistencialismos, o projeto prevê desenvolver profissionais e proporcionar inserção no mercado trabalho no nosso país.

Por fim, a cidade está sendo lindamente enfeitada pela equipe de Parintins e percebe-se que a convivência limítrofe influência uma visão mais humanista e generosa. Portanto, venha à Roraima, conheça Boa vista e veja, com seis próprios olhos, que há um Brasil que nosso feeds das redes sociais não conseguem nos mostrar.

Até a próxima!

*Marcelo Alves Ferreira é Gerente de Inovação de Ensino Digital do Grupo Estácio
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