Roberta França: Sexo na terceira idade

Sexo não tem idade, doença sexualmente transmissível também não!

Por Roberta França*

Roberta França
Roberta França -
Carnaval tá aí e quem acha que velhice é sinônimo de fim da vida sexual está muito enganado. Sexo não tem idade e meus pacientes que o digam! Ter uma vida plena com amigos, família e um bom sexo é importante e muito saudável também. Sempre me divirto com a cara de espanto de filhos e netos quando pergunto sobre a vida sexual do paciente. Quantas vezes ouvi "que isso doutora, mamãe faz mais isso não" ou "o vovô ???" Por que não? Só porque passaram dos 70, 80 anos? Quanto preconceito!

Tenho casais lindos que vivenciam plenamente sua sexualidade de forma criativa e feliz. Os avanços da medicina trouxeram uma nova visão sobre impotência, disfunção e frigidez. Homens e mulheres foram beneficiados! Os homens ganharam tempo e as mulheres qualidade. Porém, quem acompanha jornais e revistas pode ver que nos últimos dez anos a faixa etária onde o HIV/ AIDS mais cresceu foi justamente na terceira idade. Sinal de alerta aqui!

Não podemos esquecer que sexo é além de tudo um ato de responsabilidade. O fato de não ter mais risco de gravidez, não impede que as doenças aconteçam. Sexo não tem idade, doença sexualmente transmissível também não! Essa geração não cresceu com vivência do preservativo e tem dificuldade em aceitar seu uso. Mas como tudo, é uma questão de hábito e entendimento.

Adoro ouvir as histórias no consultório. Dos cruzeiros da terceira idade, os bailes dançantes, as paqueras na hidroginástica e dos passeios com o cachorro. Há pouco uma paciente de 78 anos esteve no meu consultório só para me contar que estava namorando. Estava radiante, de unhas feitas, cabelos cortados, mais magra e com um sorriso que iluminava o mundo. Seu relato me emocionou. Disse que não tinham tido nada "íntimo" ainda (adorei o ainda) mas que só o carinho, o abraço apertado e a sensação de amar já valia a pena!

E não é verdade? Amar e ser amado é um desejo sem idade. Sexo começa na cabeça. Antes de transar é preciso desejar, querer bem, sentir-se vivo e pleno, o ato sexual em si é apenas uma consequência. Então ponha seu preconceito de lado e vá ser feliz! Respeite seu corpo, conheça seus desejos, libere seus sentidos, aceite seu prazer! USE CAMISINHA e bom carnaval!

*Roberta França é geriatra e psiquiatra
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