Aline Fróes: Os talentos da economia digital virão da periferia

Há três anos o programa de educação digital avançada Vai na Web está presente nas favelas cariocas, disseminando o pensamento digital e formando jovens nas linguagens de programação mais desejadas pelo mercado

Por Aline Fróes*

Aline Fróes
Aline Fróes -
Rio de Janeiro, Complexo de favelas do Alemão, 160 mil habitantes. São dados de um censo realizado por organizações locais em 2010. Agora pense comigo: quantos desses são jovens, quantos deles estão desempregados ou buscando emprego? E quantos você acha que têm vocação para trabalhar com tecnologia, desenvolvendo sites, sistemas, aplicativos? Cinquenta mil, 30 mil, 10 mil?

Seja qual for a sua aposta, é muita gente! E aqui estamos falando apenas de uma favela dentro da cidade do Rio de Janeiro. Agora pense isso somado às favelas e periferias de todas as cidades do Brasil... Imagine a potência que têm esses territórios. Não é novidade que vivemos uma escassez global de talentos digitais. E os especialistas já alertaram que muito do investimento feito para a Transformação Digital não retornará aos negócios devido à falta de profissionais qualificados para implementar as estratégias definidas.

Isso demonstra que precisamos priorizar a capacitação técnica - e garantir que as pessoas em todo o mundo tenham acesso à educação, treinamento e habilidades para atender às demandas do mercado e se preparar para os empregos do futuro, ou melhor, do agora. Valorizar a potência da juventude dentro de territórios que tenham conflito armado e exclusão significa não apenas capacitá-los com o conhecimento e as
habilidades necessárias para lidar com os maiores desafios tecnológicos e de negócios da nossa era, mas também assegurar sua participação na criação de um mundo igualitário, inclusivo e sustentável.

Há três anos o programa de educação digital avançada Vai na Web está presente nas favelas cariocas, disseminando o pensamento digital e formando jovens nas linguagens de programação mais desejadas pelo mercado, além de ajudá-los a desenvolver as habilidades socioemocionais que irão assegurar o sucesso no mercado de trabalho. A taxa de empregabilidade do programa é de 55% e muitos desses estudantes estão
desenvolvendo projetos digitais para empresas nacionais e internacionais de dentro do
Morro dos Prazeres, onde fica nossa base.

Investir no desenvolvimento do talento dos jovens das nossas favelas e em outros territórios de exclusão é a ponte que precisamos para reduzir as desigualdades e promover um crescimento econômico inclusivo, sustentado e emprego produtivo e de qualidade. É aproveitar a tecnologia para criar oportunidades para todos. Investir na educação da juventude é a oportunidade de transformar muitos destes jovens de
observadores passivos em líderes ativos para realizar mudanças positivas em suas comunidades locais, regionais e globais. Nós, do Vai na Web, já sabemos muito bem disso.

*Aline Fróes é cofundadora do Vai na Web e Diretora executiva da 1STi
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