
Porém, há também um sentimento pulsando na direção de fazer com que eu deixe de ser ou ter qualquer pensamento machista tóxico. Afinal, essa “certeza” no meu interior também veio à tona no caso Neymar, por coincidência outro “Menino da Vila”, que, de fato, conseguiu provar que estava limpo. E aí o machismo entranhado grita: “Sabia... mais uma querendo minutos de fama e vantagem financeira”.
Mas no caso Robinho tem algo diferente. Até o momento, ele não conseguiu se defender das graves acusações de abuso sexual e, agora, vem a bomba. Nas transcrições do processo, reveladas pela imprensa, há nas conversas entre ele e amigos algo muito forte. Quando o amigo diz: “Eu te vi fazendo sexo oral” e Robinho responde: “Isso não significa transar”, nem o machista dentro de mim consegue defender.
Um jogador de futebol, por si só, já é um exemplo para tantos jovens e crianças. Em se tratando de um Robinho, essa notoriedade se multiplica e não podemos simplesmente ignorar o episódio. Aceitar que a cultura machista prevaleça diante desse tipo de coisa é inaceitável. Se for provado que ele estuprou ou participou do abuso, junto com outros amigos (diga-se de passagem), ele deve sim pagar pelo crime.
Não vou entrar no mérito da questão se o Santos deveria ou não tê-lo contratado. Afinal, o processo ainda está em curso e acredito que a Justiça deve ser feita da melhor maneira possível, seguindo seus trâmites e analisando os fatos. Condená-lo antes de ser julgado também é uma intolerância que deve ser evitada.
Enfim, o machista que tenho e a grande maioria das pessoas também possuem dentro de si, sejam homens ou mulheres, tem a tendência de se impor e passar a mensagem de que isso é normal, supondo que, provavelmente, a vítima não era tão inocente assim, mas isso é injustificável. Definitivamente, não é admissível acharmos esse tipo de atitude normal ou, pelo menos, não deveria ser visto dessa forma. Não é não e já sabemos disso. O respeito às mulheres deve ser inquestionável e independe de feminismo e, muito menos, do machismo tóxico dentro de cada um de nós.
*Bruno Mota é jornalista