Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, é coautor de artigo publicado na revista Science - divulgação
Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, é coautor de artigo publicado na revista Sciencedivulgação
Por Celso Granato*
A pandemia do novo coronavírus chegou e modificou todos os padrões conhecidos até então. Foi por conta de um pequeno e invisível inimigo que a liberdade de transitar e realizar tarefas corriqueiras foi retirada de um dia para o outro. Após meses de distanciamento físico, vemos uma flexibilização e retorno de atividades, muito porque o afastamento social, além de impactar no setor econômico, abala a saúde física e psicológica das pessoas. Sabemos que o distanciamento físico tem prazo de validade e precisa ser atendido, porém sempre com cautela e precaução.

Com a retomada gradual de diversos setores no Brasil é possível ver aglomerações, pessoas perto uma das outras, sem o uso de máscara como uma realidade necessária. Mesmo com a abertura dos estabelecimentos e com o relaxamento das medidas de prevenção, ainda vivemos, mundo afora, uma pandemia que já atingiu milhares de pessoas. Por isso, paira no ar uma dúvida se há um equívoco por parte das pessoas em entender o real sentido da palavra flexibilização.

Voltar às atividades, ou voltar ao normal, não pode ser sinônimo de retornar ao que era no mês em que se iniciou a pandemia no país, fevereiro de 2020. A necessidade do retorno é autêntica, no entanto deve ser feita com parcimônia, principalmente, com o entendimento por parte da população que é necessário seguir protocolos de saúde, como ter uma boa higiene com a lavagem das mãos, fazer uso de máscaras, ficar em locais arejados e distante das pessoas em locais públicos e sair de casa quando realmente houver necessidade.

Ter um relaxamento sem atenção faz com que a curva da evolução da doença oscile e mostre que estamos vivenciando uma fase instável. O retorno sem consciência, em um momento que ainda estamos todos sujeitos a transmitir e contrair o vírus, abre a possibilidade para que o número de casos se eleve novamente e o cenário só piore.

Há a necessidade humana de estar próximo das pessoas, mas o momento ainda pede bastante civilidade para os movimentos que aglomeram em um só local. Mesmo com a retomada de trabalhos e estabelecimentos, ainda é preciso julgar se realmente juntar-se em determinados espaços é necessário. É preciso fazer escolhas e uma delas é verificar em qual situação deseja colocar a sua saúde e a do próximo em risco.

Algumas saídas e visitas são toleráveis e saudáveis. Em todo tempo, é necessário o máximo de cuidado com protocolos de higiene. A retomada de alguns hábitos pode ocorrer, quando pontuais e em momentos que não reúnam uma quantidade grande de pessoas. Nesse momento, ainda é preciso discernir se o local que deseja visitar é propicio e não apresenta nenhum risco à saúde.

*Celso Granato é infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury