Estive lá e pude ver a tensão e o desespero de funcionários e familiares. Um hospital com seis prédios com capacidade para 600 leitos, com porta aberta para emergência e que já teve cirurgia cardíaca, serviço de transplante, e que hoje ainda mantém especialidades e terapia intensiva, mas tudo isso debilitado por falta de recursos humanos, gestão descontinuada por ingerência política, problemas de manutenção e recursos proporcionalmente insuficientes. Muito triste!
Em 2019 presidi a comissão externa da Câmara dos Deputados para analisar a situação dos hospitais federais e Institutos aqui na cidade e havíamos observamos o que poderia ocorrer ali. O diagnóstico já era uma imensa insuficiência de profissionais de saúde, fechamento de muitos serviços e denúncias de falta de manutenção. Tudo isso denunciado por nós exaustivamente. Fizemos extensos relatórios com informações circulando no Congresso Nacional, ganhamos ação na justiça para garantir contratação de trabalhadores da área e elaboramos projetos de lei que já tramitam em Brasília. Fizemos o que podíamos para evitar tudo isso.
Vale ressaltar que um dos projetos criados trata dos critérios técnicos para ocupar direção dos hospitais. Trabalhamos permanentemente também pela ampliação do orçamento do SUS.
O que vivemos hoje, portanto, é uma tragédia anunciada. Neste momento estamos cobrando do Ministério da Saúde informações oficiais e precisas sobre as investigações e cronograma de funcionamento da unidade, assim como será feito o atendimento da população neste período. Não haverá descanso.
O SUS tem sofrido muitos golpes por este Governo e o incêndio no HGB faz parte deste cenário de desprezo pela vida do povo fluminense. Basta.

