Guilherme Fonseca Opinião O Dia
Guilherme Fonseca Opinião O DiaDivulgação
Por Guilherme Fonseca*
O desenvolvimento da atividade cafeeira no Noroeste do Estado do Rio, com destaque para o município de Varre-Sai, os distritos de Purilândia e Santa Clara, ambos localizados na cidade de Porciúncula, abre uma perspectiva de crescimento econômico para o extremo Noroeste Fluminense. A qualidade do café produzido na região vem recebendo o merecido reconhecimento através de diversas premiações. Além de produzirem um dos melhores cafés do país, os municípios têm imenso potencial para o turismo de montanha.
A política tributária também precisa de atenção. O ICMS que incide sobre a atividade cafeeira precisa ter a alíquota reduzida. Já sabemos que este tema está na agenda estadual, o que nos deixa bastante otimista pois também é fundamental para consolidar a competitividade do Rio de Janeiro.
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De olho, também, na vocação turística dos municípios campeões de produção de café, ressalta-se a proximidade com o Parque Nacional do Caparaó, na divisa entre Minas e Espírito Santo. O parque foi criado na década de 1960 pelo então presidente Jânio Quadros e se tornou um motor de desenvolvimento do setor de serviços relacionado à atividade turística.
Com belas paisagens e uma atividade agrícola forte, o extremo Noroeste Fluminense, na tríplice fronteira dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, pode ser transformado num novo polo desenvolvimento econômico fluminense, atraindo negócios, empreendedores e criando um novo fluxo turístico.
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O plano federal de construção da ferrovia Transoceânica (EF-354), que pretende conectar os oceanos Pacífico e Atlântico, tendo num dos extremos o Porto do Açu, em São João da Barra, é outro destaque. A ferrovia teria seu traçado pelo Noroeste, a menos de uma hora da região cafeeira.
O Porto do Açu e a futura ferrovia internacional, por constituírem um importante sistema logístico, somando-se ao que prevê o Plano Estratégico de Logística e Cargas do Estado do Rio de Janeiro (PELC-2045) estabelecem um cenário promissor. O Aeroporto Regional Ernani do Amaral Peixoto, em Itaperuna, é outro equipamento importante neste contexto de expansão econômica. O aeroporto é mencionado no Plano Aeroviário do Estado do Rio de Janeiro (Paerj).
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Ainda no quesito logística, é importante ressaltar que a pavimentação asfáltica da RJ-198, no trecho que liga Santa Clara a Varre-Sai, é um sonho da população e dos produtores de café e contribuiria enormemente para melhorar a mobilidade entre os dois maiores polos cafeeiros do estado. A via tem aproximadamente 18km de extensão. A pavimentação pode ser considerada um investimento baixo se compararmos os benefícios econômicos que serão conquistados para o Estado do Rio de Janeiro.
A pavimentação deste trecho da rodovia 198 seria uma espécie de inauguração de um novo ciclo de desenvolvimento econômico para o polo cafeeiro do Noroeste e um prêmio aos produtores, que em pouco tempo colocarão o Estado do Rio de Janeiro consolidado numa posição destaque nacional e internacional na produção de café.

*É arquiteto urbanista, especialista em Gestão Pública e Engenharia Urbana e presidente do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA/RJ)