Júlio Furtado, colunista do DIADivulgação

Caro professor, nesse segundo Dia dos Mestres - hoje 15 de outubro - em tempos de pandemia, gostaria
de lhe dizer algumas coisas que possam te ajudar a seguir em frente, começando pelo fato de que se estamos vivos e com relativa saúde, já temos a senha para continuarmos a nossa jornada.
Muito provavelmente, professor, você já está dando aulas presenciais e tentando entender como funciona, na prática, esse tal de ensino híbrido, ao mesmo tempo em que continua no ensino remoto com os alunos que não puderam ou não quiseram retornar às aulas presenciais. Esse “malabarismo pedagógico” tem tirado o nosso sono ao ponto de já termos acrescentado em nossas orações diárias o pedido para que todos os estudantes voltem às aulas presenciais.
Calma, nossas preces serão ouvidas, nem que seja a partir de 2022. Pense, porém, pelo lado positivo: após essa experiência, planejamento diferenciado será mole para nós!
A você que atua na Educação Infantil e que ficava desesperada imaginando como faria para não tocar nas crianças e para manter o afastamento mínimo entre elas, eu tenho a dizer que, embora a Ciência ainda não tenha descoberto, existe a imunidade do amor ao que se faz, comprovada pelas vezes em que você não resiste e pega os pequenos em seus braços ou pelas vezes em que, na velocidade de um raio, agarram-se
em suas pernas.
Por sinal, a imunidade do amor ao que se faz estende sua proteção a todos os professores, em especial a você, professor do primeiro segmento do Ensino Fundamental, quando recolhe e corrige cadernos e livros de aluno por aluno, higienizando muito bem as mãos entre um e outro, mas esquecendo de fazê-lo diversas
vezes ao longo do processo. Sim, essa imunidade é real e é ela que, ao mesmo tempo, nos sustenta e é sustentada pela alegria de estarmos podendo nos surpreender, ao vivo, com o quanto nossos alunos cresceram durante esses remotos meses de afastamento.
Saiba que mais do que recuperar o conteúdo em atraso, precisamos ajudar nossas crianças e jovens a construir o sentido de suas vidas num tempo de exceção e, dessa forma, reconstruirmos o sentido das nossas vidas. É isso, somos, de certa maneira, engenheiros de vida cuja principal força é acreditar sempre num amanhã melhor. Como muito bem disse Paulo Freire, a Educação é filha da esperança.
Parabéns pelo nosso dia!
 
Júlio Furtado é mestre em Educação e doutor em Ciências da Educação