Paes se lança candidato e polêmica eleitoral divide especialistas

Ex-prefeito aponta que não vai prorrogar a intervenção federal

Por GUSTAVO RIBEIRO

A aliança é uma consequência do apoio do DEM a Geraldo Alckmin (PSDB-SP) na corrida à Presidência da República
A aliança é uma consequência do apoio do DEM a Geraldo Alckmin (PSDB-SP) na corrida à Presidência da República -

Rio - O ex-prefeito Eduardo Paes confirmou nesta quinta-feira que concorrerá a governador do Rio pelo DEM. O anúncio foi feito após reunião com o interventor federal na Segurança, Walter Braga Netto, no Quartel-General do Comando Militar do Leste (CML), na Central. Paes apontou que, se eleito, não pedirá a prorrogação da intervenção, prevista para acabar no fim de 2018, mas que espera parceria das Forças Armadas.

"Sou candidato a governador para cuidar da segurança pública. Agora, nós vamos continuar trabalhando pedindo a parceria das Forças Armadas. O papel que eles desempenham, a inteligência, é muito importante na segurança", disse. E acrescentou que a intervenção foi necessária devido à "falta de comando" no estado.

Paes afirmou que não se sentiria constrangido com apoio do MDB, partido que deixou após escândalos de corrupção no Rio. "Os partidos são formados por pessoas (...) Se as pessoas cometem erros, que paguem pelos seus erros", explicou, dizendo que deixou a sigla para dar satisfação à sociedade. O vice não foi divulgado e a candidatura será lançada no domingo. Paes vai apoiar o ex-rival Cesar Maia ao Senado.

O deputado federal Chico Alencar (Psol) questionou se o interventor estaria privilegiando o candidato, "revelando caráter eleitoreiro": "Então o comandante da Segurança no Rio recebe cidadão comum? A Comissão Externa da Câmara de Acompanhamento da Intervenção, da qual faço parte, tem toda a legitimidade e demora a conseguir reunião". A assessoria de Paes convocou a imprensa para entrevista CML, realizada sem Braga Netto no pátio após condução de soldados.

Polêmica eleitoral

O tema divide especialistas. "A lei 9504/1997 proíbe a todo agente qualquer conduta que possa afetar as condições de igualdade entre os candidatos, entre elas a cessão de imóvel público. Equivocada a conduta do CML e seu comandante. A conduta deveria ter sido a suspensão da entrevista", avaliou Lígia Silva de Oliveira, da RSM Advogados. Para ela, cabe investigação judicial, que poderia gerar cassação da candidatura e a conduta do interventor deve ser apurada pelo Exército.

Especialista em Direito Eleitoral, Luiz Paulo Viveiros de Castro não vê ilegalidade: "É mais oportunismo do Paes que falta de moralidade. Faz parte do jogo". Na entrevista, Paes disse que procurou o CML para se inteirar sobre a segurança pública. O CML e Paes não quiseram comentar.

Intervenção com R$ 550 milhões

O Gabinete de Intervenção Federal divulgou os equipamentos que estão sendo comprados para reequipar os órgãos de segurança do estado. Setenta processos estão abertos para as licitações, em cerca de R$ 550 milhões, parte do R$ 1,2 bilhão liberado pelo governo federal. A fase externa das licitações é prevista para as próximas semanas.

Na lista, estão 24.235 coletes balísticos, 10.955 fuzis, pistolas e espingardas, 1,132 milhão de unidades de munição, 1.350 veículos (radiopatrulha, patamo, ônibus, transporte de presos), 46 itens para Polícia Técnica, 7.000 equipamentos de proteção individual, 190 itens para manutenção de veículos e 268.847 peças de fardamento. O gabinete informou que aplicará integralmente os recursos disponibilizados.

Comentários

Últimas de Rio de Janeiro