Miliciano da Gardênia Azul é morto a tiros

Fabio de Souza Salustino, o Rolamento, foi morto na madrugada deste domingo na Avenida Isabel Domingues

Por RAFAEL NASCIMENTO

Carro foi atingido por diversos disparos
Carro foi atingido por diversos disparos -

Rio - O miliciano Fabio de Souza Salustino, o Rolamento, foi executado a tiros, na madrugada deste domingo, na Avenida Isabel Domingues, na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio. Ligado ao ex-vereador e ex-bombeiro militar Cristiano Girão Matias, o homem era um dos líderes da organização paramilitar que controla a Gardênia Azul, em Jacarepaguá. O carro em que Rolamento estava, um Siena Attractive, foi atingido por pelo menos 22 furos de tiros de fuzil. Três disparos acertaram o pára-brisas do veículo. Outros dez disparos acertaram o lado do motorista, onde o paramilitar estava. O homem morreu na hora.

Ao DIA, investigadores da Delegacia de Homicídios (DH) disseram que o crime foi planejado. No entanto, a especializada ainda apura se a morte foi ordenada por traficantes ou milicianos. "Ainda não podemos afirmar (quem mandou matar), mas sabemos que se trata de execução", disse o delegado Evaristo Magalhães Pontes, responsável por investigal o crime. Agentes da DH estiveram no local do crime para fazer perícia. A especializada faz diligências em busca de testemunhas e imagens que possam ajudar nas investigações.

Atualmente, há uma disputa territorial — entre bandidos e milicianos — em toda a Zona Oeste. Paramilitares do grupo ligados ao ex-vereador e ex-bombeiro Girão, que está solto, tentam tomar diversas áreas da Gardênia Azul do tráfico.

Desde 2009 — quando Girão foi denunciado por formação de quadrilha armada e lavagem de dinheiro —Rolamento passou a ficar na mira da polícia e da Justiça. Segundo informações da Justiça, o grupo do ex-vereador e de Fabio mantinha influência na associação de moradores de Gardênia Azul. Em 2012, durante uma operação da 32ª DP (Taquara), o homem foi preso e solto em junho deste ano, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

Durante buscas a associação de moradores os agentes encontraram cerca de R$ 15 mil e cédulas de dólar e euro. Naquela ação, um outro miliciano acabou sendo preso: Robson Dias Delgado, conhecido como Índio. Na mesma operação, o grupo paramilitar sofreu dois baques na Justiça.

Além de decretar nova prisão preventiva de Girão e de outros seis integrantes do grupo, a 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá determinou o bloqueio dos aluguéis de 22 imóveis na comunidade, que rendiam cerca de R$ 80 mil mensais para a quadrilha.

A medida para quebrar o braço financeiro da milícia foi pedida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, com base em investigações da Polícia Civil. À época, o juiz da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, Marco José Mattos Couto, determinou ainda a apreensão de um carro usado por um dos milicianos para fazer a cobrança dos aluguéis na Gardênia Azul e conhecido pelos moradores como “caveirão da milícia”.

Ainda de acordo com as investigações, os imóveis, alguns com até 15 unidades, foram construídos com o dinheiro das atividades criminosas da quadrilha. Eles eram alugados aos moradores por meio de contratos que davam uma fachada de legalidade ao lucro da milícia.

A Polícia Militar foi procurada mas, até a publicação desta reportagem, a corporação não havia respondido. 

Outros milicianos mortos

Mais uma morte encabeça a lista de milicianos assassinados e investigados pela DH. No dia 19 de fevereiro deste ano, foi morto a tiros Adriano da Silva Cavalcanti, o Palmilha, apontado como segurança do grupo paramilitar que controla a Gardênia Azul. Assim como Rolamento, ele foi morto na Avenida Isabel Domingues, quando estava dentro de um Toyota Ethios. Ao lado dele, estava uma mulher, que também foi assassinada.

Já no dia 14 de março, Marcelo Diotti da Mata, marido da ex-mulher de Cristiano Girão, foi executado no estacionamento de um restaurante na Barra da Tijuca. O corpo foi encontrado perto de seu carro, um Mercedes SUV branco.

Em 9 de abril, Carlos Alexandre Pereira Maria, 37, foi encontrado morto por policiais do 18º BM (Jacarepaguá). O homem estava com marcas de tiros e dentro de um carro na localidade conhecida como Bioiúna, na Estrada Curumau, na Taquara. Carlos era assessor do vereador Marcello Siciliano, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS). O vereador é apontado por uma testemunha como sendo uma dos envolvidos na execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes há cinco meses. Das várias linhas de investigação, uma delas é que Carlos Alexandre teria ligação com milicianos.

Dois dias após a execução de Carlos Alexandre, no dia 11 de abril, o policial militar reformado Anderson Claudio da Silva, 48, foi metralhado e levou dezenas de tiros quando passava com sua BMW na Praça Miguel Osório, no Recreio dos Bandeirantes.

No dia 20 de abril, David Freitas de Lima, de 23 anos, que segundo as investigações integrava a milícia que atua na comunidade Vila da Paz, no Itanhangá, foi executado a tiros. À época também foram assassinados Lázaro Dias do Nascimento, 24, e Alef Jhonny Carneiro da Silva, 23. Até agora ninguém foi identificado e preso.

Um mês depois, em 9 de maio, o filho do ex-PM Marcos José de Lima Gomes, o Gão, preso desde 2014, foi assassinado a tiros enquanto jogava futebol em um campo de Inhoaíba, na Zona Oeste. Ruan da Silva Gomes, 24, estava com amigos na quadra da Rua Adolfo Lemos, perto do viaduto e estação de trem do bairro. Gão é um dos chefes da milícia Liga da Justiça.

 

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Miliciano conhecido como Rolamento foi executado com tiros de fuzil Reprodução

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