Secretaria não pode nem ser notificada

MP tenta contato com pasta de Proteção aos Animais de Belford Roxo, mas descobre que ela não existe

Por CÁSSIO BRUNO

No endereço da secretaria, há uma escola municipal abandonada
No endereço da secretaria, há uma escola municipal abandonada -

Rio - O Ministério Público decidiu ontem abrir inquérito para investigar a criação da Secretaria de Proteção aos Animais de Belford Roxo e as nomeações de aliados políticos feitas pelo prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (MDB). Como revelou O DIA na terça-feira, a secretaria é fantasma e nunca funcionou na prática.

O caso está na 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Duque de Caxias. Para comandar a pasta que não existe, Waguinho nomeou o vereador Antônio Rubem Medeiros Júnior, o Tuninho Medeiros, eleito pelo PDT, em 2016.

Recentemente, o próprio Ministério Público tentou notificar a Secretaria de Proteção aos Animais por causa de um resgate de animais silvestres no município. Porém, os promotores descobriram que a pasta está apenas no papel mesmo após Tuninho Medeiros e outros funcionários serem nomeados e estarem recebendo salários.

Só em julho, o prefeito nomeou 620 pessoas para cargos comissionados e de confiança. Vinte delas apenas em seu gabinete. Na lista, está o pastor Jonas Mendonça Sales, da Primeira Igreja Batista em Santa Amélia, que nunca foi visto no local de trabalho, segundo informaram servidores ao DIA na sexta-feira passada.

A Secretaria de Proteção aos Animais é uma das 38 criadas por Waguinho. O secretariado inclui vereadores, suplentes, ex-vereadores e até a irmã do prefeito, Fabiane dos Santos, que ocupa a Secretaria da Mulher.

Na reportagem, O DIA mostrou que, no lugar onde deveria funcionar a Secretaria de Proteção aos Animais, há, na verdade, um prédio em ruínas de uma antiga escola municipal.

Prefeitura sem transparência 

 

O DIA pediu ontem para entrevistar o prefeito de Belford Roxo, Waguinho, e o secretário de Proteção aos Animais, Tuninho Medeiros. Mas, até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa da prefeitura não deu retorno e também não enviou nota com um posicionamento sobre o caso.

Desde a última segunda-feira, O DIA tenta ter acesso a informações públicas sobre as nomeações. Como, por exemplo, saber quantos funcionários (comissionados e concursados) trabalham em cada uma das 38 secretarias de Belford Roxo, além dos gastos com a folha de pagamento. Os dados, que deveriam estar disponíveis para consulta no site da prefeitura, como determina a Lei da Transparência, estão ocultos.

No ano passado, o prefeito Waguinho decretou estado de calamidade financeira no município, de 459,7 mil habitantes. Apesar da crise e da falta de infraestrutura na cidade, ele fez centenas de nomeações. E também mandou demolir e, depois, reconstruir o pórtico na entrada de Belford Roxo pela Via Dutra.

 

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