Grupo manteve mulher de traficante e os filhos no cárcere

No tiroteio, até o pacote com "resgate" foi alvejado por disparo. Entre os criminosos havia um PM, um taxista e um ex-policial, morto pela DAS

Por ADRIANO ARAÚJO

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Pacote com "resgate". Negociação foi feita em São Cristóvão, mas bando formado por PM e ex-PM não se rendeu -

Rio - Os criminosos que tentaram extorquir a mulher de um traficante preso e a mantiveram em cárcere privado junto com seus dois filhos, um menino 10 anos e uma menina de 16, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, pediram R$ 300 mil para "não matar todo mundo". A ameaça resultou em um tiroteio que terminou com um morto e dois presos.

Desesperada, a vítima procurou a Delegacia Antissequestro (DAS), que armou um "pagamento" para prender a quadrilha em São Cristóvão, da Zona Norte do Rio. Os bandidos reagiram à abordagem e dois foram baleados: o ex-PM Igor Carvalho de Souza, que morreu no local era líder do grupo, e o taxista Bruno da Silva Oliveira Ferreira, atingido na perna. De acordo com a DAS, ele receberia R$ 1 mil para participar do crime. Um outro integrante da quadrilha, o soldado PM André Félix Marques, lotado na UPP Barreira/Tuiuti, foi preso durante a madrugada em sua casa em Realengo, na Zona Oeste. Um agente da DAS também ficou ferido no confronto. A polícia ainda procura um quarto suspeito, primo do taxista.

"Ele pegaram a mulher e os filhos e ficaram com eles durante um tempo, falando que sabiam que o marido dela estava preso e pediram R$ 300 mil. Disseram que, se ela não conseguisse o dinheiro até o fim da tarde, iriam matar todo mundo. Ela não tinha o dinheiro e entrou em desespero, procurando a DAS", disse Cláudio Gois, chefe da especializada. Ela chegava em casa quando foi rendida e colocada com o casal de filhos dentro do carro do ex-PM, um CrossFox vermelho, onde foi coagida e ameaçada por cerca de duas horas.

Segundo Gois, a negociação para "pagar" o resgate foi iniciada, e o local de entrega da quantia, combinado. O valor, aliás, caiu de R$ 300 mil para R$ 30 mil. Um pacote com cédulas falsas foi confeccionado e seria entregue ao trio na Rua Leonor Porto, em São Cristóvão.

A mulher fez a entrega do "resgate" e caminhou fora da direção dos criminosos, mas eles desconfiaram de um carro que estava logo atrás, atiraram e acabaram atingindo outro veículo onde estavam os agentes da DAS, iniciando a troca de tiros. Os criminosos abandonaram o táxi Meriva e saíram correndo em direção à Rua General Bruce, onde outra equipe da DAS os aguardava. Houve, então, novo confronto.

No tiroteio, o ex-PM foi morto e o taxista do bando foi atingido na perna e preso. O policial civil baleado foi encaminhado para o Hospital Municipal Souza Aguiar e já recebeu alta. "No tiroteio, até o pacote que estava com eles foi atingido pelos disparos", contou Góis. O carro do policial expulso, usado para ameaçar a mulher pela manhã foi encontrado horas depois, nas proximidades.

A investigação chegou ao nome do soldado da PM André Félix Marques, localizado em casa pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária (DPJM) durante a madrugada e levado para a DAS. Os criminosos teriam tido informações privilegiadas sobre a família e o traficante preso, que seria uma liderança do tráfico no Morro do Fallet, em Santa Teresa, mas os detalhes ainda não foram divulgados.

O ex-soldado Igor Carvalho de Souza foi expulso da Polícia Militar em maio de 2017 por indisciplina, mas a corporação não detalhou a infração. Já o PM da ativa André Félix foi levado para a Batalhão Especial Prisional, em Niterói, onde permanece preso. Todos os envolvidos devem responder por tentativa de homicídio e extorsão mediante sequestro.

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