Anistia Internacional divulga novo relatório sobre o caso Marielle

Execução de vereadora e seu motorista, Anderson Gomes, completa oito meses nesta quarta-feira

Por O Dia

14/09/18 -  Ato da Anistia Internacional no aterro do Flamengo, cobra respostas sobre a morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, executados dentro do carro no bairro do Estácio, no Centro do Rio. Foto de Maíra Coelho / Agência O Dia. Cidade, Marielle, Anistia, Morte, Marielle, Protesto, Manifestação
14/09/18 - Ato da Anistia Internacional no aterro do Flamengo, cobra respostas sobre a morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, executados dentro do carro no bairro do Estácio, no Centro do Rio. Foto de Maíra Coelho / Agência O Dia. Cidade, Marielle, Anistia, Morte, Marielle, Protesto, Manifestação -

Rio - A Anistia Internacional divulgou, nesta quarta-feira, um novo relatório sobre o caso Marielle. O levantamento traz informações veiculadas publicamente sobre o caso, com o objetivo de apontar questões graves que não foram respondidas, além de possíveis incoerências e contradições na investigação. A organização ainda sugeriu a criação de uma comissão externa e independente para acompanhar as investigações dos assassinatos da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março. O crime completa oito meses nesta quarta-feira.

Segundo Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional no Brasil, as autoridades "não respondem às denúncias que vieram à tona", como o desligamento das câmeras de segurança do local do crime dias antes do assassinato, o desaparecimento de submetralhadoras da Polícia Civil do Rio de Janeiro e o desvio de munição do lote pertencente à Polícia Federal. 

"As autoridades não respondem às denúncias graves que vieram à tona e, quando se pronunciam, parecem não se responsabilizar pelo que dizem. Marielle era uma figura pública, uma vereadora eleita. Seu assassinato é um crime brutal e as autoridades não estão respondendo adequadamente" afirma. 

"Desde a noite do assassinato foram divulgadas informações muito graves. Não podemos olhar todas essas informações isoladamente. O quadro geral aponta que as autoridades do sistema de justiça criminal parecem estar se esquivando de sua responsabilidade. O estado não pode deixar sem explicação o sumiço de munição e submetralhadoras de sua propriedade" afirma Neder.

O documento traz as informações divididas em cinco categorias: disparos e munição, a arma do crime, os carros e aparelhos usados e as câmeras de segurança, procedimentos investigativos e o andamento das investigações. Além das informações, cada bloco traz perguntas que as autoridades precisam responder.

"É chocante olhar para tudo o que já foi divulgado sobre as investigações do assassinato de Marielle Franco ao longo de oito meses e ver que o padrão foi de inconsistências, incoerências e contradições", disse Renata. 

Mesmo sem respostas definitivas ou adequadas, as informações divulgadas indicam que o assassinato de Marielle Franco foi cuidadosamente planejado e que pode ter contado com a participação de agentes do estado e das forças de segurança.

"Esse cenário de informações contraditórias, perguntas sem respostas e a possibilidade de que agentes do estado estejam envolvidos no crime reforçam a necessidade de que seja estabelecido com urgência um mecanismo externo e independente para monitorar as investigações do assassinato de Marielle e Anderson" afirma Neder.

A mãe de Marielle, Marinete da Silva, disse que, apesar da demora na conclusão das investigações, a família da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, continuam se mobilizando para exigir uma resposta das autoridades. 

"Temos recebido muito acolhimento e solidariedade por parte das pessoas, tanto no Brasil como no exterior, e nossa família está cada vez mais unida. Oito meses se passaram e tudo o que a gente quer hoje é que se descubra quem matou e quem mandou matar a minha filha", disse Marinete. 

Lançamento de livro de Marielle Franco acontece nesta quarta-feira 

O livro "UPP: a favela reduzida a três letras" (n-1 Edições), escrito pela vereadora e socióloga Marielle Franco, será lançado nesta quarta-feira, na Câmara dos Vereadores. A data do lançamento marca os oito meses desde a sua execução. 

A publicação é resultado da dissertação de mestrado de Marielle em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense. A autora apresenta, entre outros objetivos da pesquisa, evidenciar que não há guerra de combate às drogas e de controle de territórios: "O que, de fato, existe, ou está indicado, é uma política de exclusão e punição dos pobres, escondida por trás do projeto das UPPs", escreveu a socióloga. Segundo ela, a administração da segurança “atuou como força auxiliar no fortalecimento de um modelo de cidade centrado no lucro privado, e não na sua população, sustentado pela política hegemônica do Estado, marcada pela exclusão e punição”.

 Para Frei Betto, que assina o prefácio, trata-se de um livro que “tem de ser lido, reproduzido, distribuído, debatido e repartido como pão quente capaz de alimentar a mesma esperança encarnada por sua autora, minha amiga Marielle Franco”.

O evento de lançamento contará com a participação dos vereadores Tarcísio Motta e David Miranda, ambos do PSOL; da irmã de Marielle, Anielle Franco; de sua viúva, Monica Benicio; de Tula Pires, professora de Direito da PUC-Rio; Lia Rodrigues, professora de Sociologia da Uerj; e Mônica Francisco, deputada estadual eleita, também pelo PSOL. Uma apresentação musical está prevista com a participação da cantora Marina Iris.

SERVIÇO:

Lançamento do livro “UPP: a favela reduzida a três letras – Uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”

Data: Quarta-feira, 14 de novembro

Horário: às 18h

Local: Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n°)

 

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