Polícia Civil prende homem que agrediu estudantes por homofobia em escola no Méier

Paulo Victor Garces Santos foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado. Ele ameaçou e agrediu, dentro da instituição de ensino, com pauladas, socos e pontapés os estudantes por motivação homofóbica. Discriminação é considerada violação dos direitos humanos

Por O Dia

Estudantes foram agredidos a pauladas em escola
Estudantes foram agredidos a pauladas em escola -

Rio - A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira, o agressor dois alunos do Colégio Estadual Visconde Cairu, no Méier, na Zona Norte do Rio, no último dia 29. Paulo Victor Garces Santos foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado. Ele ameaçou e agrediu, dentro da instituição de ensino, com pauladas, socos e pontapés os estudantes por motivação homofóbica. 

A Anistia Internacional considera a discriminação contra os homossexuais uma violação aos direitos humanos. Segundo o delegado Hilton Alonso, titular da 23ªDP (Méier), responsável pelo caso, "o fato gera repulsa social e exige uma resposta efetiva da polícia".

Ele ainda destaca que o autor agiu de forma "fria e calculista ao retornar ao colégio, cerca de 20 minutos após a ameaça, armado com um pedaço de pau, utilizado nas agressões, e surpreendendo as vítimas em uma emboscada no corredor que dava acesso ao refeitório".  

Na delegacia, Paulo Victor confessou o crime e alegou ter sido assediado pelas vítimas. Ele alega que, embora tenha ido armado até o colégio, ele estava apenas se defendendo. O agressor ainda afirmou ter agido sozinho. No entanto, segundo as vítimas, ele conseguiu fugir do local com a ajuda de um comparsa. A polícia informou que continuará investigando a participação de outros suspeitos no crime. 

Uma das vítimas, que teve a sua identidade preservada, relatou que o homem era desconhecido na escola. Em um desabafo no Facebook, a vítima disse que, após a ameaça, o agressor o surpreendeu com um pedaço de madeira, o atingindo na cabeça. "A agressão continuou com socos e pontapés. Quando ele viu que eu caí, começou a bater no meu amigo, que tomou madeiradas e socos no rosto", destacou o estudante

O aluno contou ainda que foi amparado por professores e funcionários, que ajudaram a estancar o sangue, e chamaram a polícia e uma ambulância. "Até quando vamos ter que passar por isso? Não vamos nos calar. Se fere nossa existência, somos resistência", frisou o jovem, que é integrante da ala da comunidade da Mangueira.

A agremiação, em nota, repudiou as agressões. "Não podemos ficar reféns do ódio e violência. Estamos juntos na luta por uma sociedade mais justa, democrática e igualitária para todas e para todos".

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação esclareceu que os alunos envolvidos no episódio são maiores de idade.

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