Mortandade de peixes na Lagoa de Piratininga assusta moradores

Denúncias começaram a circular na internet na tarde desta quarta-feira

Por O Dia

Mortandade de peixes evidenciada na Lagoa de Piratininga, em Niterói -

Rio - No dia seguinte ao aniversário de Jesus Cristo, alcunhado pelo milagre de multiplicar pães e peixes, moradores dos arredores da Lagoa de Piratininga, em Niterói, acordaram com o odor de uma vasta mortandade de tainhas, evidenciada na superfície da água. "Nasci e fui criado aqui, nunca vi a lagoa ficar dessa forma. O cheiro está insuportável", disse Erlei Pacheco, de 46 anos, morador de Piratininga e autor do vídeo.

Segundo moradores, a morte dos animais começou no dia 24, mas a decomposição dos peixes começou a ser sentida apenas hoje, perto do horário do almoço.

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), uma equipe fez vistorias no local e constatou que esse fenômeno é mais suscetível nessa época do ano nas lagoas fluminenses, especialmente em Piratininga – por conta da baixa profundidade. "As altas temperaturas aliadas ao assoreamento da lagoa, em conjunto com a entrada de ventos e chuvas ao fim do dia favorecem a redução do oxigênio dissolvido na água, e consequentemente, ocasiona a morte de peixes", diz a nota.

"Queria saber, além do problema grave de assoreamento e do calor, como é que está a condição de troca d’água da lagoa, bem como a questão do saneamento?", questionou o ambientalista Mário Moscatelli. Ele ainda conta que sobrevoou as Lagoas de Piratininga e Itaipu, em 2017, e constatou que havia um grave problema de lançamento de esgoto em ambas, o que agrava a situação em períodos de intenso calor.

O Inea notificou o ocorrido à Companhia Municipal de Limpeza Urbana de Niterói (CLIN), que está realizando a limpeza dos resíduos sólidos. Mas a população diz que a coleta não passa de um paliativo.

"Essa lagoa está morrendo desde os anos 90, a Prefeitura nunca fez nada", comentou Rafael Alves. "É só para dar uma resposta, na verdade nem é a função da CLIN recuperar a lagoa, é questão de saneamento", disse Pacheco.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes

 

  

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