Witzel: bandido será 'abatido' no Shopping Leblon ou em comunidade

Declaração foi dada durante posse de Rodrigo Pacheco, novo defensor público-geral

Por Caio Cardoso*

Defensor público-geral empossado, Rodrigo Baptista Pacheco, com o governador do Rio Wilson Witzel durante cerimônia de posse, na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro
Defensor público-geral empossado, Rodrigo Baptista Pacheco, com o governador do Rio Wilson Witzel durante cerimônia de posse, na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro -

Rio - O governador do Rio, Wilson Witzel, voltou a defender a execução de bandidos que portem fuzil nesta segunda-feira. Desta vez, ele especulou que se um criminoso entrasse com esse tipo de arma no shopping Leblon, na Zona Sul do Rio, seria abatido. Ele continuou dizendo que a execução também deveria acontecer nas favelas para evitar o que chamou de 'dois pesos e duas medidas'. As declarações foram dadas após a cerimônia de posse do defensor público-geral Rodrigo Pacheco, na sede da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, no Centro da capital. O defensor, por sua vez, ponderou que o 'abate' só é permitido em caso de legítima defesa.

"Vamos combater com rigor o crime organizado. Os traficantes que portam fuzil nas comunidades serão tratados como terroristas porque se tivesse um bandido de fuzil no Shopping Leblon, ele certamente seria abatido. Então não pode ter dois pesos e duas medidas", disse Witzel.

Perguntado sobre a posição do governador, o defensor público-geral empossado, Rodrigo Baptista Pacheco, disse que o bandido só pode ser 'abatido' se o agente de segurança estiver acobertado pela legítima defesa. "Ele (bandido) está colocando a vida de alguém em risco? Está prestes a atirar em alguém? Então, ele (agente de segurança), em tese, está acobertado pela legítima defesa", declarou.

Em seu discurso na cerimônia, o governador disse que o novo defensor público-geral do Rio, ao contrário dele próprio, recebe uma "herança bendita", referindo-se à prisão de deputados e governadores no Estado do Rio em 2018. 

Sobre a fala do governador Wilson Witzel sobre o Rio precisar de uma Guantánamo, o defensor disse que não entendeu a intenção do governador. "Eu não consegui entender o significado dessa declaração. O que eu sei é que o sistema penitenciário do Rio é extremamente caótico. A cada 38 horas, um preso morre (encarcerado no estado)", disse Rodrigo Pacheco. Ele acrescentou que situação carcerária é muito grave no estado.

O novo defensor público-geral do Rio também ressaltou que a Defensoria é contra a redução da maioridade penal, que , para ele, representaria uma tragédia para a juventude brasileira. "Isso é uma tragédia para o futuro do Brasil. Também somos contra o aumento da internação (de menores infratores)".

O deputado federal eleito Marcelo Freixo (Psol-RJ), que compareceu à cerimônia, disse que há medidas mais urgentes na Segurança Pública do Rio do que a proposta de 'abater quem porte fuzil'. "Existe uma coisa chamada Constituição. Eu presidi a CPI do combate ao tráfico de armas e munições e faço questão de entregar nas mãos do governador. Acho que tem muita coisa a ser feita no Rio de Janeiro antes de qualquer medida que ainda parece de campanha eleitoral. Precisa controlar melhor as munições, saber o roteiro dessas armas", declarou.

* Com supervisão de Maria Inez Magalhães

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