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Familiares de pacientes reclamam das condições do Hospital Rocha Faria

Unidade que fica em Campo Grande, na Zona Oeste, está sob a gestão de empresa da Prefeitura do Rio há um ano

Por LUIZ PORTILHO

Hospital Rocha Faria
Hospital Rocha Faria -

Rio - O Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, está sob a administração da Empresa Pública de Saúde do Rio de Janeiro (RioSaúde) há um ano, como substituta da organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), com quem a Prefeitura do Rio rompeu contrato sob a alegação da falta de cumprimento de metas. Apesar de o prefeito Marcelo Crivella festejar, na segunda-feira, o que apresentou de melhorias na unidade, há reclamações de cidadãos que dependem dela.

A família de Maria Eduarda Amorim Oliveira, de 14 anos, reclama do atendimento do hospital. A menina ficou internada lá por uma semana, com quadro de anemia crônica, e recebeu alta nesta terça-feira. "Eu tenho pena das enfermeiras e dos médicos. O hospital está lotado. Acompanhante fica em pé. Não tem uma cadeira e o hospital não permite, por causa da superlotação", disse a aposentada Simone Ribeiro, de 48 anos, avó da menina.

Maria Eduarda tinha um abscesso na virilha direita e perdeu peso depois que foi internada. A família, então, tentava uma transferência, pois alegava receber informações desencontradas dos médicos e reclamava da falta de medicamentos na unidade."Ela precisava de anti-inflamatório, mas o hospital não fornece. Eles só dão antibióticos fortes. Um deles eu pedi para suspender, pois minha filha tomava e gritava de dor", disse a mãe da menina, a trabalhadora autônoma Claudia Amorim, de 31 anos, em contato com a reportagem na porta do Rocha Faria, na segunda-feira.

Maria Eduarda Amorim Oliveira, de 14 anos, recebeu alta nesta terça-feira - Arquivo Pessoal
 

Segundo a avó, Maria Eduarda voltou para casa aparentemente melhor. "Os médicos rasgaram o abscesso, limparam tudo. A minha neta está aparentemente melhor. Eles deram alta, mas pediram para nós ficarmos atentos. Se ela piorar, devemos correr de volta com ela para o hospital", afirmou Simone Ribeiro.

Já o empreiteiro Edson da Silveira Pinheiro, 51 anos, quase perdeu o filho por falta da realização de uma tomografia no Rocha Faria. Rafael Prado de Oliveira, 23 anos, teve um traumatismo craniano após sofrer um acidente de moto no domingo e precisou ser transferido para o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, também na Zona Oeste, no dia seguinte para submeter-se ao exame.

"Ele está em coma, respirando por aparelho, e só foi transferido por volta das 8 horas. Tentaram de madrugada, mas ele passou mal na ambulância e tiveram de voltar. Aqui, no Rocha Faria, não tem nem maca direito. As cadeiras estão quebradas. Havia uma doutora só para atender um monte de gente", reclamou Edson, que conformou que o filho voltou para o Rocha Faria após ser examinado.

Edson Silveira Pinheiro, 51 anos, reclama da falta de macas - Luciano Belford/Agência O Dia

A pensionista Carmelita Oliveira, de 77 anos, deu entrada na unidade no dia 16 de janeiro, com uma fratura no fêmur, e teve de esperar oito dias para ser operada. "Ela ia fazer a cirurgia no dia 22, mas faltou luz no hospital e tiveram de adiar para o dia 24. O atendimento é horrível, não tinha nem remédio para dormir", disse Natália do Carmo, 27 anos, neta de Carmelita.

Dona Carmelita Oliveira, 77 anos, teve cirurgia adiada por falta de luz - Luciano Belford/Agência O Dia

Procurada, a direção do Hospital Municipal Rocha Faria informou que Maria Eduarda deve continuar tendo acompanhamento na Atenção Básica, ou seja, na sua Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde de referência. Sobre a falta de cadeiras para acompanhantes, o hospital diz que tem um espaço chamado Acolhimento Familiar, onde são disponibilizados cadeiras, bebedouro e televisor para os acompanhantes. A unidade ainda informou que Rafael Prado de Oliveira, filho de Edson da Silveira, está internado em estado grave no CTI.

Sobre os outros casos mencionados, a RioSaúde informou que a farmácia da unidade encontra-se abastecida e que as cadeiras do atendimento, de aço inoxidável, estão em perfeito estado. Sobre as macas, a RioSaúde informou que elas existem em número suficiente para o atendimento, mas que pode faltar, eventualmente, em dias de movimento muito acima do normal. A empresa ainda afirmou que recebeu um novo aparelho de tomografia, mas aguarda obras de adequação para colocá-lo em funcionamento.

Na segunda-feira, em cerimônia no Museu do Amanhã, no Centro do Rio, Marcelo Crivella exaltou os números do Rocha Faria. Segundo a Prefeitura, o tempo médio de espera por consulta na unidade está menor do que 50 minutos, e que a RioSaúde tomou as seguintes medidas: reabasteceu o estoque de medicamentos, insumos e materiais cirúrgicos; informatizou todos os processos; implantou pontos de distribuição de medicamentos dentro do hospital; recolocou para funcionar o elevador da maternidade e o serviço de ultrassom; reinaugurou a Sala 3 do Centro Cirúrgico; e colocou nova sinalização por cores sos andares.

"Estamos festejando mais de 180 mil atendimentos que foram feitos no Rocha Faria depois que a RioSaúde o assumiu", disse o prefeito.

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Hospital Rocha Faria Luciano Belford
Maria Eduarda Amorim Oliveira, de 14 anos, recebeu alta nesta terça-feira Arquivo Pessoal
Edson Silveira Pinheiro, 51 anos, reclama da falta de macas no Rocha Faria Luciano Belford/Agência O Dia
Dona Carmelita Oliveira, 77 anos, teve uma cirurgia adiada por falta de luz Luciano Belford/Agência O Dia

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