Justiça ouve testemunhas de militares envolvidos na morte de músico

No total, foram ouvidas 11 testemunhas, quase todas militares

Por Agência Brasil

Carro foi atingido por mais de 60 tiros
Carro foi atingido por mais de 60 tiros -
Rio - A Justiça Militar terminou de ouvir, nesta sexta-feira, testemunhas de defesa dos militares do Exército envolvidos na morte do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo, baleados durante operação no dia 7 de abril, no bairro de Guadalupe, na Vila Militar, Zona Norte. No total, foram ouvidas 11 testemunhas, quase todas militares.
A próxima fase do inquérito será em agosto, quando novas testemunhas de defesa serão ouvidas. A expectativa da promotoria é encerrar o caso ainda este ano. A sessão foi presidida pela juíza Mariana Aquino Campos.
A promotora Najla Nassif disse que o Ministério Público Militar (MPM) defende a condenação para todos os envolvidos na ação. “Disparar do jeito que aconteceu, isso nunca poderia ter sido feito. Os militares fizeram a suposição de que havia autores do roubo anterior, porque o carro tinha a mesma cor e modelo, então eles dispararam pela suposição absolutamente equivocada. Isso conduziu a esse erro, que levou a um crime que causou a morte de dois civis. Aponta para a condenação dos militares, nos termos que colocamos na denúncia, por homicídio consumado, tentado e omissão de socorro”, disse a promotora.
O advogado de defesa dos envolvidos, Paulo Henrique Pinto de Mello, argumentou que na região há bastante tráfico de drogas, o que gera tensão nos militares, e que pode ter havido tiros contra o carros dos militares, por parte de traficantes.
Entenda o caso
As testemunhas de acusação, incluindo a família alvejada, foram ouvidas em maio. Evaldo estava com a família, indo para um chá de bebê, quando se deparou, por volta das 14h30, com uma patrulha do Exército. Em seguida, o veículo foi atingido por tiros. O músico morreu e o sogro dele, Sérgio Gonçalves, ficou ferido. Os demais ocupantes, a esposa de Evaldo, Luciana dos Santos, o filho de 7 anos e a amiga do casal, Michele da Silva Leite, não foram atingidos. O catador Luciano foi baleado quando tentava ajudar Evaldo e sua família.

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