Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reúne centenas de pessoas em Copacabana

Neste ano, a marcha teve o tema 'Independente da sua fé, o respeito deve prevalecer', com pedidos de respeito ao estado laico, democracia, liberdade religiosa e aos direitos humanos

Por Marina Cardoso

12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas
12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas -
Rio - Centenas de pessoas participaram, nesta manhã, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, de mais uma Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Neste ano, o ato, que chega a sua 12ª edição, teve como tema 'Independente da sua fé, o respeito deve prevalecer', com pedidos de respeito ao estado laico, democracia, liberdade religiosa e aos direitos humanos. Organizado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a marcha contou com a participação de representantes de religiões como, budistas, umbandistas, candomblecista, evangélicos, ciganos, kardecistas, judeus e católicos. A caminhada também foi palco para integrantes da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio levantarem as bandeiras do enredo que levarão para a avenida no próximo ano. 
Os religiosos chegaram por volta das 11h e se concentraram no Posto 6 da Praia Copacabana. Durante o percurso até o Posto 2, as pessoas carregavam cartazes pedindo liberdade religiosa, respeito a todas as crenças e paz entre elas. 
A caminhada também teve um ato em favor da Amazônia, pedindo forças contra o desmatamento que avança rapidamente este ano. Pela primeira vez, a marcha contou com a presença de lideranças religiosas internacionais, com os pastores vindo dos Estados Unidos.
Para o organizador do evento, babalaô Ivanir dos Santos, a caminhada representa a luta e o fortalecimento da resistência do ano inteiro. "É o combate ao crescimento do ódio, do racismo e do fascismo religioso, presente hoje nos três níveis de governo. É para que a sociedade entenda que o ataque também é contra a democracia. Vivemos em um estado laico, e nós lutamos pela liberdade de qualquer manifestação religiosa, democracia e pelos direitos humanos", afirma o organizador. 

Galeria de Fotos

Rio,15/09/2019 -COPACABANA- Rio de Janeiro recebe 12º Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa.Foto: Cléber Mendes/Agência O Dia Cléber Mendes
12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas Cléber Mendes
12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas Cléber Mendes
12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas Cléber Mendes
Umbandistas de terreiro na Baixada Fluminense estiverem presentes e pediram respeito aos indígenas e atenção para os ataques na região Cléber Mendes
12ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu diversas religiões, como budistas, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, ciganos e kardecistas Paulo Carneiro/Parceiro/Agência O Dia
Organizador do evento, babalaô Ivanir dos Santos, pede respeito a todas as religiões Paulo Carneiro/Parceiro/Agência O Dia
Para a umbandista Zenir Duarte, de 56 anos, a caminhada representa um momento de fortalecimento diante dos recentes casos de ataques a terreiros na Baixada Fluminense, em cidades como Duque de Caxias e Nova Iguaçu. "Estamos aqui para defender nossas crenças e lutar pelos nossos irmãos que têm sido atacados. Precisamos alertar as pessoas devido ao aumento em casos de intolerância. Também viemos pedindo respeito pelos índios e negros, que constantemente são discriminados", conta Zenir. 
Para a pastora da igreja luterana Luzmarina Garcia, a caminhada é um momento para manifestar que todas crenças conseguem se juntar para lutar por direitos e mostrar a tolerância entre elas. "Estamos juntos aqui para lutar contra a intolerância religiosa. Esse é um ato positivo diante de tanta desconstrução no campo religioso, mas também no campo de direitos no nosso país. Somos uma sociedade de diversas religiões e precisamos nos respeitar e nos amar", afirma.
O bispo do templo Rentokuji, Jyunsho Yoshikawa, representante do Budismo, a caminhada também é um momento para chamar a atenção dos mais jovens. "Precisamos fazer com os mais novos participem, que eles queiram formar um novo público, de pessoas conscientes, tolerantes diante de todas as religiões", explica. 
ENREDO DA ESCOLA DE CAXIAS
A caminhada também contou com integrantes da agremiação de Caxias, que levará para a Sapucaí ano que vem o enredo 'Tata Londirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias'. Será contada a história do baiano Joãozinho da Gomeia, conhecido como rei do Candomblé e um dos maiores pai de santo do país. 
"A Grande Rio participar desse evento é super importante, pois nosso enredo se envolve muito com o que está acontecendo aqui. A gente vai falar sobre Joãozinho da Gomeia, que foi um grande pai do santo do Candomblé, além de que teremos um setor todo em defesa da tolerância religiosa. A gente representa a luta do povo da Baixada Fluminense, com terreiros sendo muitos deles atacados frequentemente", explica Fabrício Machado de Lima, conhecido como Mestre Fafa, mestre de bateria. 
 

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