Novo secretário diz que armar a Guarda Municipal é uma de suas prioridades

Projeto, no entanto, ainda precisa ser votado e aprovado pela Câmara de Vereadores para poder entrar em vigor

Por Maria Luisa de Melo

Recém-empossado, Gutemberg Fonseca afirmou que vai batalhar para convencer os 51 vereadores da capital a regulamentarem a proposta
Recém-empossado, Gutemberg Fonseca afirmou que vai batalhar para convencer os 51 vereadores da capital a regulamentarem a proposta -

Rio - Recém-chegado à Secretaria de Ordem Pública (Seop), o secretário Gutemberg Fonseca, promete um grande choque de ordem para a cidade, na reta final do governo do prefeito Marcelo Crivella (PRB). Em sua agenda para aumentar o ordenamento nas ruas da cidade, estão assuntos polêmicos como armar a Guarda Municipal, além de antigas cobranças da população que pareciam esquecidas pela pasta, como a intensificação das ações para reprimir os ambulantes ilegais e as vans piratas que circulam livremente.

Outro desafio é conseguir recursos para a internação de usuários de drogas que vivem em cracolândias como a da Avenida Brasil. O assunto também está sob sua responsabilidade, já que a Seop é a pasta responsável pela Coordenadoria de Cuidado e Prevenção às Drogas.

Gutemberg não só defende que a Guarda Municipal seja armada como promete se empenhar para conseguir recursos junto ao governo federal para treinar os agentes civis a usar armas de fogo. O efetivo da guarda é de 7,5 mil servidores, que só podem atuar com equipamentos menos letais, como gás de pimenta, taser (arma de choque) e tonfa (antigo cassetete). Se aprovado o projeto, a arma a ser utilizada será pistola calibre 380.

Gutemberg diz que vai batalhar para convencer a Câmara de Vereadores a regulamentar a questão e, para isso, prepara relatório com casos de cidades onde a iniciativa deu certo. Ele pretende abordar os vereadores já no início do próximo do ano. Apesar de uma lei federal permitir tal iniciativa, isso deve ser regulamentado pela Câmara.

"Hoje o estado tem um déficit de aproximadamente 20 mil homens (policiais) nas ruas. A gente perde em torno de mil homens por ano. Se eu conseguir trazer a guarda para esse patamar, estou ajudando a segurança pública do estado", defende ele, citando exemplos como o da Guarda Metropolitana de São Paulo, que é armada.

O estado já tem duas cidades onde a Guarda Municipal é armada: Volta Redonda e Barra Mansa, ambas no Sul Fluminense. São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, já aprovou o uso de arma de fogo pelos agentes da guarda, mas ainda está em processo de adquirir o armamento, o que deve acontecer em 2020. Vizinha à São Gonçalo, Niterói decidiu por não armar a guarda em plebiscito realizado em 2017. 

Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, é outro município que avalia a proposta, já que a Guarda Municipal acabou de ser criada e o edital para o concurso deve sair em breve.

O secretário tenta, ainda, incentivos junto à iniciativa privada para expandir o Programa Rio + Seguro, muito parecido com o Segurança Presente, e também promete multar os cariocas que insistirem na perturbação de sossego - maior alvo de reclamações do serviço 1746.

Amigo de Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, Gutemberg pendurou uma foto do presidente da República na parede. Ao lado, um retrato do prefeito Marcelo Crivella. As molduras são separadas apenas por um terço. Mas ele nega que tenha sido convidado por Crivella como uma forma do prefeito de conseguir o disputado apoio do presidente na campanha para a eleição municipal do ano que vem.


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Projeto para armar agentes será prioridade

A polêmica proposta de permitir que os guardas municipais usem armas de fogo está no radar do novo secretário.Para que isso seja possível,é necessário sensibilizar os vereadores para legalizar a questão. Gutemberg Fonseca diz que o planejamento é que um projeto sobre isso seja discutido com a Câmara no início do ano que vem.

“Precisamos armar a Guarda. O prefeito só não é a favor daquilo que é contra a lei. Ele fala o tempo todo que não é uma coisa simples. Mas isso vai nos ajudar muito a manter a ordem. Só que quando se fala em armar a guarda, a população pensa que vai dar arma na mão de cada um e pronto. Mas, antes disso, vamos qualificá-los”, defende.

A Seop busca financiamento para capacitação dos agentes junto ao Ministério da Justiça: “Armara guarda é a ultima fase do projeto. Isso será debatido. Vamos provar que isso trará um grande resultado para a população”.

Ações de combate ao transporte ilegal a cada três dias

Conforme O DIA noticiou em agosto deste ano, as vans ilegais circulam livremente por toda a cidade, aceitando até Bilhete Único e cartão RioCard como forma de pagamento. Equipes de fiscalização não são vistas.
Para combater o problema, o secretário Gutemberg Fonseca promete mandar os agentes às ruas, em ações a cada três dias, para coibir o transporte ilegal. Depois, a fiscalização será intensificada com operações diárias.
Ele nega que o governo Crivella esteja fazendo vista grossa para as irregularidades, com interesses eleitorais. Isso porque o prefeito concedeu, em julho, anistia para as vans que saíram da rota estabelecida.
 
"Vamos agir para coibir todo o transporte clandestino, não só as vans. Intensificaremos também a fiscalização contra o estacionamento irregular em dias de praias lotadas. Vamos agir como um grande gabinete de crise", diz.

'Shopping chão' está com os dias contados
A impossibilidade de caminhar em algumas ruas de bairros movimentados como o Centro da cidade, devido ao grande número de produtos de vendedores ambulantes espalhados pelo chão também está com dias contados, segundo Gutemberg Fonseca. Isso porque ele promete intensificar a repressão aos vendedores ambulantes irregulares, assim como promete fazer com o transporte clandestino.
 
Questionado sobre a impopularidade de ações deste tipo às vésperas de ano eleitoral, quando o prefeito Marcelo Crivella tentará a reeleição, ele minimiza a questão. "A Prefeitura vêm cadastrando os ambulantes que querem se legalizar. O que não dá é para quem está correto e legalizado ser prejudicado por quem não está. Por isso, vamos fazer ações neste sentido", diz.
 
Ele nega que a Prefeitura esteja fazendo vista grossa até agora.

Mais de 200 leitos em comunidades terapêuticas
Um convênio que será custeado com recursos do governo federal está em fase final de chamamento público e permitirá que a cidade tenha 225 leitos para tratamento de dependentes químicos, segundo o secretário. A gestão dos leitos será feita pela Coordenadoria de Cuidado e Prevenção às Drogas, subordinada à Seop.
 
A medida não servirá para internações involuntárias (forçadas). Por enquanto, dez comunidades terapêuticas foram credenciadas e os leitos devem ser disponibilizados já no próximo mês. Cada vaga custará R$ 1 mil aos cofres federais. "Agora a gente vai ter leitos para quem quiser se tratar. Mas já tínhamos algumas ações com equipes multidisciplinares voltadas para dependentes químicos, inclusive nas cracolândias", diz.
 
Ainda segundo Fonseca, a internação involuntária, com avaliação médica, já vem sendo feita. Mas os 225 leitos são importantes para quem quiser manter, voluntariamente, o tratamento. 

AÇÕES CONTRA O TRANSPORTE ILEGAL A CADA 3 DIAS

Na Avenida Brasil, vans piratas ainda circulam livremente - Gilvan de Souza

Conforme O DIA noticiou em agosto deste ano, as vans ilegais circulam livremente por toda a cidade, aceitando até Bilhete Único e cartão RioCard como forma de pagamento. Equipes de fiscalização não são vistas. Para combater o problema, o secretário Gutemberg Fonseca promete mandar os agentes às ruas, em ações a cada três dias, para coibir o transporte ilegal. Depois, a fiscalização será intensificada com operações diárias.

Ele nega que o governo Crivella esteja fazendo vista grossa para as irregularidades, com interesses eleitorais. Isso porque o prefeito concedeu, em julho, anistia para as vans que saíram da rota estabelecida.

"Vamos agir para coibir todo o transporte clandestino, não só as vans. Intensificaremos também a fiscalização contra o estacionamento irregular em dias de praias lotadas. Vamos agir como um grande gabinete de crise", diz.

PROJETO PARA ARMAR AGENTES SERÁ PRIORIDADE

Intenção é que guardas sejam treinados antes de assumir armas - Reginaldo Pimenta

A polêmica proposta de permitir que os guardas municipais usem armas de fogo está no radar do novo secretário. Para que isso seja possível, é necessário sensibilizar os vereadores para legalizar a questão. Gutemberg Fonseca diz que o planejamento é que um projeto sobre isso seja discutido com a Câmara no início do ano que vem.

"Precisamos armar a Guarda. O prefeito só não é a favor daquilo que é contra a lei. Ele fala o tempo todo que não é uma coisa simples. Mas isso vai nos ajudar muito a manter a ordem. Só que quando se fala em armar a guarda, a população pensa que vai dar arma na mão de cada um e pronto. Mas, antes disso, vamos qualificá-los", defende.

A Seop busca financiamento para capacitação dos agentes junto ao Ministério da Justiça: "Armar a guarda é a ultima fase do projeto. Isso será debatido. Vamos provar que isso trará um grande resultado para a população".

'SHOPPING CHÃO' ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS

Camelôs invadem a calçada da Praça da República, no Centro - Ricardo Cassiano

A impossibilidade de caminhar em algumas ruas de bairros movimentados como o Centro da cidade, devido ao grande número de produtos de vendedores ambulantes espalhados pelo chão também está com dias contados, segundo Gutemberg Fonseca.

Isso porque ele promete intensificar a repressão aos vendedores ambulantes irregulares, assim como promete fazer com o transporte clandestino.

Questionado sobre a impopularidade de ações deste tipo às vésperas de ano eleitoral, quando o prefeito Marcelo Crivella tentará a reeleição, ele minimiza a questão.

"A prefeitura vem cadastrando os ambulantes que querem se legalizar. O que não dá é para quem está correto e legalizado ser prejudicado por quem não está. Por isso, vamos fazer ações neste sentido", diz.

Ele nega que a prefeitura esteja fazendo vista grossa até agora.

MAIS LEITOS EM COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

Usuários de drogas formam cracolândia na Avenida Brasil - Maíra Coelho/Arquivo O Dia

Um convênio que será custeado com recursos do governo federal está em fase final de chamamento público e permitirá que a cidade tenha 225 leitos para tratamento de dependentes químicos, segundo o secretário. A gestão será feita pela Coordenadoria de Cuidado e Prevenção às Drogas, subordinada à Seop.

A medida não servirá para internações involuntárias (forçadas). Por enquanto, dez comunidades terapêuticas foram credenciadas e os leitos devem ser disponibilizados já no próximo mês. Cada vaga custará R$ 1 mil aos cofres federais. "Agora a gente vai ter leitos para quem quiser se tratar. Mas já tínhamos algumas ações com equipes multidisciplinares voltadas para dependentes químicos, inclusive nas cracolândias", diz.

Ainda segundo Fonseca, a internação involuntária, com avaliação médica, já vem sendo feita. Mas os 225 leitos são importantes para quem quiser manter, voluntariamente, o tratamento.

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Recém-empossado, Gutemberg Fonseca afirmou que vai batalhar para convencer os 51 vereadores da capital a regulamentarem a proposta Estefan Radovicz
2019-10-25 - Entrevista com o novo secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, na sede da Seop, localizada na Cidade Nova, Centro do Rio, nesta sexta-feira, (25). Foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia Estefan Radovicz/Agência O Dia

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