Vendedor de balas tem dia amargo em Niterói

Após ser retirado da barca por agentes, José Augusto foi agredido e algemado

Por Anderson Justino e Thuany Dossares

José Augusto foi à UPA com dores, após ser derrubado e sufocado
José Augusto foi à UPA com dores, após ser derrubado e sufocado -

Rio - Na tentativa de vender balas numa barca que saiu da Praça XV em direção a Niterói, José Augusto dos Santos acabou imobilizado, algemado e detido por policiais militares, no último dia 29, ao chegar à Estação Arariboia. A truculência deixou marcas e ontem ele recorreu à UPA de Santa Luzia, em São Gonçalo, com fortes dores nas costas.

José foi autuado na 76ª DP (Centro de Niterói) por desacato, resistência e desobediência. "A dignidade do homem não está no que ele trabalha", disse. É com a venda de balas que ele sustenta três filhos, sendo dois do primeiro casamento, e pagou curso para a mulher, Lidiomara, tornar-se professora.

Segundo José, assim que foi advertido por PMs de que era proibido o comércio ali, começou a recolher as balas. Os passageiros, então, passaram a defender o ambulante, o que teria irritado os policiais.

De acordo com José, quando a barca atracou em Niterói, os PMs o conduziram à delegacia. "Não me neguei a ir, mas eles começaram a me puxar. Pedi para não me tocarem, então eles começaram a me empurrar e me jogaram no chão quente, me sufocaram. Me senti muito humilhado".

OAB reage ao ver imagens

Nas redes, circula vídeo da ação dos policiais, gerando reação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em nota, a entidade se coloca à disposição de José para dar assistência jurídica. "Vendo as imagens fica nítido que houve excesso do uso da força (...) e que ele não cometeu crime de desacato, como acusam os policiais."
 
A PM informou que o soldado Rodrigo Luiz Lobo Simões advertiu o ambulante ao vê-lo comercializando balas. "Segundo o militar, sua advertência não foi atendida e solicitou o apoio de outros policiais após a atracação no píer", diz a nota da PM. A CCR Barcas se limitou a dizer que não permite a atuação de ambulantes ou pedintes nas embarcações e que conta com apoio de PMs para orientar seus usuários.

Comentários