Parada LGBTI+ movimenta Madureira neste domingo

A expectativa é de que o público supere um milhão de pessoas

Por *O DIA

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Rio - A 19ª edição da tradicional Parada LGBT de Madureira, na Zona Norte, teve início no começo da tarde deste domingo. A passeata traz como tema "Nossas Lutas, Nossas Forças, Nossa Militância Refletem em Nossas Cores". A expectativa é de que o público supere um milhão de pessoas.

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Paulo Carneiro / Parceiro / Agência O Dia
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Parada LGBTI+ de Madureira chega a 19ª edição neste domingo Internet / Reprodução
A concentração do evento estava marcada para às 11h, com a realização de serviços sociais para a população. Cinco trios elétricos vão percorrer o trajeto completo da rua Carvalho de Souza até o Madureira Shopping. No último ano, a passeata que reuniu 1,2 milhão de pessoas, foi considerada a maior em um bairro do subúrbio no Brasil.
A parada é um ato reivindicatório pelos direitos de igualdade, contra todas as formas de preconceito e discriminação. É uma união de todos os segmentos por alegria e reivindicação”, afirmou Loren Alesxander, organizadora da Parada, em entrevista à Agência Brasil.

Apesar de tantos anos de luta pelos direitos da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo), ela afirma que a homofobia e o preconceito ainda persistem. "Ninguém é obrigado a nos aceitar, mas é obrigado a nos respeitar. O recíproco é mútuo. A gente busca fazer o nosso social, atuar dentro do direito cultural, fazer o nosso papel de inclusão social aceitando as diferenças e convivendo com as diferenças, para que vejam que podemos nos unir por direitos iguais", observou.

Festa
O público vai seguir os cinco trios elétricos que participam da festa este ano. No início da parada eles ficam estacionados na Rua Carvalho de Souza, uma das principais de Madureira, com muita música, discursos de representes da comunidade LGBTI e apresentações de shows. Depois, os trios começam a se deslocar pelas ruas do bairro levando junto muita gente. Este ano, a madrinha da Parada é a cantora Lexa.

Morador do bairro Santíssimo, Breno Coutinho, 17 anos, conta que é a segunda vez que vai a Parada em Madureira. Ele afirma que sofre preconceito desde muito novo e que não é aceito pela própria família. "Eu morava com a minha avó e me assumi. Ela me expulsou de casa e fui morar com a minha mãe. As minhas tias também não me aceitaram no começo e depois entenderam. As minhas irmãs e meu irmão não me aceitam", disse Breno que pretende ser psicólogo ou trabalhar como maquiador profissional. Ele conta que, atualmente, consegue ganhar algum dinheiro fazendo esse tipo de serviço.

Diferentemente do ambiente familiar, Breno diz que se sente bem na escola onde estuda, em Bangu. "Acho ela muito legal. Tem outras pessoas que são LGBTs. A gente tem muito espaço lá e na escola nunca sofri nada, graças a Deus", disse, acrescentando, que costuma sair em grupo com receio de assédio e violência por andar maquiado. "Sempre me xingam, por isso ando com eles", afirmou, apontando o grupo de 10 pessoas com quem estava.

Serviços
Com apoio da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio) da Prefeitura do Rio, o público da 19ª Parada LGBTI de Madureira teve à disposição vários serviços.

Na área da saúde houve imunização com vacinação de hepatite B e antitetânica, distribuição de 4,3 mil preservativos masculinos e 380 femininos, além de 800 lubrificantes. Houve ainda promoção de saúde e orientação de HIV e IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis). O público pôde também relaxar com sessões de shiatsu. "Estamos aqui, na Saúde, com diversas prevenções de DST/AIDS, de hanseníase, tuberculose e fazendo testes rápidos de HIV por saliva", contou Loren.

Na área de assistência social, os participantes receberam orientação sobre inclusão no Cadastro Único (Cadúnico) do Ministério da Cidadania, a tarifa social, os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e o ID Jovem. Teve também recreação infantil, pintura facial e oficina de turbantes, identificação de crianças e orientação sobre direitos humanos e direito da mulher.

Comlurb
Uma equipe de 60 garis e 11 agentes de limpeza urbana da Comlurb foi destacada para o local para a limpeza antes, durante e após o evento. O trabalho começou às 7h e seguirá até as 6h de amanhã (16).

Policiamento
A Guarda Municipal montou operação especial com 60 guardas. Desses, 20 estão operando o trânsito. O esquema da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET-Rio) compreende a interdição de diversas ruas na região para acomodação e passagem dos trios elétricos.

Agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) com apoio de outras unidades fazem a atuação ostensiva.

Câmeras
O monitoramento da área de Madureira e das vias de acesso ao bairro ficou por conta do Centro de Operações Rio (COR). A função do COR é integrar as operações dos órgãos envolvidos e acionar para resposta rápida as equipes da prefeitura que atuam em ocorrências. A região onde se realiza a Parada tem monitoramento em tempo real com apoio das 811 câmeras da prefeitura e outros equipamentos de videomonitoramento de parceiros.
Entre as atrações confirmadas do evento, estão as cantoras Lexa e Mulher Pepita, o grupo Funtastic e DJ Lindão. Viviane Araújo e David Brazil, padrinhos vitalícios da Parada, mais uma vez estarão presentes. A expectativa da organizadora Loren Alesxander é que a marcha reúna cerca de 1 milhão de pessoas.
Pré-Parada LGBT
Em outubro desse ano, o Parque Madureira recebeu o esquenta da festa de hoje. No evento, que contou com o apoio a Prefeitura do Rio, por meio da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio), teve shows de drag queens e diversas outras atrações. 
Para o Coordenador Especial da Diversidade Sexual do Rio, Nélio Georgini, é fundamental promover a cultura da diversidade em todas as regiões da cidade. "O Rio vai além da Zona Sul, os LGBTs do subúrbio carioca, da Zona Norte e Oeste, também precisam da nossa atenção. Desde o início da nossa gestão, temos focado nessas áreas da cidade também", finaliza Georgini.
*Com informações da Agência Brasil
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