Rio, 06/01/2020, Agua suja nas residencias dos moradores da Paciencia, zona oeste da cidade, na foto Jaqueline Leocadio segura dois copos um com a agua limpa e putro com a agua suja barrenta, Foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia - Gilvan de Souza
Rio, 06/01/2020, Agua suja nas residencias dos moradores da Paciencia, zona oeste da cidade, na foto Jaqueline Leocadio segura dois copos um com a agua limpa e putro com a agua suja barrenta, Foto de Gilvan de Souza / Agencia O DiaGilvan de Souza
Por Maria Luisa de Melo
Publicado 07/01/2020 17:47 | Atualizado 08/01/2020 15:19
Rio - O número de pacientes com sintomas de diarreia, gastroenterite e vômito que deu entrada nas Unidades de Pronto Atendimento estaduais de Santa Cruz e Campo Grande quase triplicou entre 20 de dezembro do ano passado e 5 de janeiro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. As informações são da secretaria estadual de Saúde. O período coincide com relatos de moradores das zonas Norte e Oeste sobre a má qualidade da água que vem saindo das torneiras: barrenta, amarelada ou com cheiro de podre. O problema já afeta pelo menos 11 bairros da cidade, onde vivem mais de 1,1 milhão de pessoas.
Ainda de acordo com a Secretaria estadual de Saúde, as unidades de Santa Cruz e Campo Grande registraram, respectivamente, 783 e 588 casos de diarreia, gastroenterite e vômitos de origem infecciosa ou não, entre 20 de dezembro de 2019 e 5 de janeiro deste ano. Já no mesmo período do ano passado, o número foi de 282 e 378 casos, respectivamente.
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Apesar de o período coincidir com as queixas sobre a má qualidade da água, a Secretaria informa, que "é precoce associar o aumento na procura de pacientes com estes sintomas à água contaminada".
Em nota, a CEDAE informou que foi detectado a presença da substância Geosmina em amostras de água. "A Geosmina é uma substância orgânica produzida por algas e que não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. Desta forma, a água fornecida pode ser consumida pela população".
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Confira a nota na íntegra:
Após análises finalizadas nesta terça-feira (07/01), técnicos da Cedae detectaram a presença da substância Geosmina em amostras de água. A Geosmina é uma substância orgânica produzida por algas e que não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. Desta forma, a água fornecida pode ser consumida pela população.

A substância não oferece riscos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água. O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar "gosto e cheiro de terra". Casos semelhantes ocorreram no Rio de Janeiro 18 anos atrás; em São Paulo, em 2008, e em municípios dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul em 2018, por exemplo.

Cabe informar que as amostras já analisadas na tarde desta terça-feira (07/01) na Estação de Tratamento do Guandu não apresentaram alteração quanto ao cheiro e ao gosto, estando dentro dos padrões. Ao longo do sistema, porém, a água ainda pode apresentar gosto e cheiro alterados em alguns locais. Por isto, a Cedae continuará monitorando todo o sistema de abastecimento ao longo da semana.

Análises realizadas em unidades do macrossistema de abastecimento do Rio também estavam dentro dos indicadores estabelecidos pelas normas do Ministério da Saúde.
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