Cidade no ritmo do coronavírus: missas têm redução de fiéis

Tradicional celebração de domingo na Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho, contou com menos devotos; pontos turísticos investem em higienização

Por Gabriel Sobreira

Poucos fiéis foram à tradicional missa das 10h na Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho
Poucos fiéis foram à tradicional missa das 10h na Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho -

A cada dia que passa, a pandemia do coronavírus vai ditando novas regras e mudando os hábitos na cidade do Rio de Janeiro. As missas nas igrejas católicas da capital, por exemplo, apesar de não terem sido suspensas, já são realizadas com uma participação bem reduzida de fiéis. A Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho, retratou bem neste domingo esse novo cenário que se desenha diante das medidas adotadas pelos cariocas para evitar o contágio e a disseminação do novo vírus.

A principal missa de domingo na paróquia, que é celebrada às 10h, teve ontem uma menor frequência, como constatou a reportagem. "O movimento está bem menor. Cerca de 100 fiéis devem ter vindo para essa missa das 10h. Antes, nos outros domingos, tínhamos umas 300 pessoas. A cerimônia eucarística das 7h sempre é celebrada na capela (uma área menor, atrás do altar), mas hoje foi celebrada no espaço principal, para se ter mais espaço", relatou um colaborador da paróquia, que não quis se identificar.

Algumas medidas de prevenção à disseminação do Covid-19 já foram recomendadas pela Arquidioce do Rio e estão sendo seguidas à risca nos templos católicos. Entre elas, a suspensão do tradicional abraço da paz e o aumento do número de missas para diminuir a quantidade de fiéis e aglomeração nos espaços.

A Arquidiocese, até o momento, não tem previsão para o cancelamento de missas. Porém, o cônego Cláudio dos Santos, coordenador arquidiocesano de pastoral e pároco da Catedral Metropolitana, destacou que as orientações dadas pelo cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, contribuem na prevenção ao contágio do coronavírus.

"Todos os fiéis católicos estão seguindo as orientações dadas por nosso cardeal nas missas em nossa Arquidiocese, como a distância de pelo menos um metro nos bancos, aumento do número de missas e abstenção de mãos dadas no Pai Nosso", explicou o cônego Cláudio dos Santos.

Vaticano: Semana Santa sem fiéis

O Vaticano anunciou ontem que as celebrações litúrgicas da Semana Santa serão realizadas sem a presença dos fiéis na Praça São Pedro. A decisão tem o objetivo de evitar a propagação do coronavírus. Até 12 de abril as orações de Angelus só podem ser vistas ao vivo no site do Vaticano.
 
Para se ter uma ideia, as missas afetadas são as do Domingo de Ramos (5 de abril), quinta-feira santa (9 de abril), Sexta-feira Santa e o Caminho da Cruz no Coliseu Romano (10 de abril), Sábado Sagrado da Vigília Pascal (11 de abril) e Domingo de Páscoa (12 de abril) com a tradicional benção "Urbi et Orbi".
 
Desde a semana passada, o Papa Francisco tem celebrado audiências gerais e o Angelus sem fiéis. A basílica e a Praça de São Pedro estão fechadas, seguindo recomendações das autoridades italianas.

No Brasil, o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, teve todas as celebrações canceladas durante 30 dias por decisão proferida no último sábado pela Justiça. A visita ao templo ainda está permitida e a higienização do local foi reforçada. A ação foi proposta no final de semana pelo Ministério Público.
Higienização nos vagões do Trem do Corcovado - Reginaldo Pimenta

Pontos turísticos investem em higienização
 
Pontos turísticos do Rio se preparam para enfrentar a pandemia sem fechar as portas, ao contrário de algumas casas de espetáculos, que suspenderam suas atividades, como o Circo Voador. Visitantes, entre turistas e cariocas. não deixaram de ir ontem ao Corcovado, no Cosme Velho, Zona Sul.
 
De acordo com a assessoria de imprensa do Trem do Corcovado, não houve cancelamento de ingressos comprados desde que o alerta de pandemia foi divulgado. O fluxo de visitantes também segue normal. No entanto, algumas medidas de prevenção foram implementadas, como higienização dos equipamentos a todo momento. "Na medida do possível, tentamos embarcar as pessoas nos vagões com espaço entre uma e outra", informou a assessoria.
 
Entre uma leva e outra de visitantes, os três vagões do trem eram higienizados por uma funcionária. O processo leva em torno de dois minutos. "Não custa nada esperar. Além do mais, é para o nosso próprio bem", observou a turista paraense Rosângela Macedo, de 43 anos, acompanhada de amigos.
A roda gigante Rio Star, no Centro, seguiu funcionando. Mas reduziu de oito para quatro o número de pessoas por cabine (de 4,25 m²). "A Rio Star é um parque aberto e suas cabines podem ser abertas (janelas) caso o cliente prefira", disse Fábio Bordin, diretor da holding que administra o parque.

Já o Bondinho Pão de Açúcar, na Urca, adotou,desde a semana passada, o procedimento de higienização de todos os bondes e estações, principalmente nos corrimãos, a cada nova viagem, e das janelas dos veículos.
Casas de shows, como o Circo Voador (ao lado), cancelaram espetáculos - Estefan Radovicz / Agencia O Dia

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Poucos fiéis foram à tradicional missa das 10h na Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho Reginaldo Pimenta
Higienização nos vagões do Trem do Corcovado Reginaldo Pimenta
Casas de shows, como o Circo Voador (ao lado), cancelaram espetáculos Estefan Radovicz / Agencia O Dia

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