Álcool pode baixar a imunidade

Consumo de bebidas alcoólicas aumenta na quarentena, mas é preciso estar atento aos riscos

Por Danillo Pedrosa

A nutricionista Izabela Freitas alerta: álcool afeta células de defesa
A nutricionista Izabela Freitas alerta: álcool afeta células de defesa -

O tédio da quarentena não deixa saída para muitos apreciadores de bebidas alcoólicas. O gerente comercial Alexandre Fonseca, que mora em Campo Grande, tornou o hábito de tomar uma (ou várias) lata de cerveja depois do trabalho ainda mais frequente. Sem as reuniões com amigos ou uma mesa de bar para passar o tempo, a bebida virou uma das poucas maneiras de aliviar o estresse, desde que com moderação - um pouco menos do que antes.

"Por causa do estresse, todo esse tempo em casa, a gente não pode sair e acaba abrindo uma cerveja para passar o tempo. E como tenho que ficar em casa, não preciso dirigir", explica Alexandre, que só tem saído para trabalhar durante a quarentena.

Desde o início da pandemia, o número de latas de cerveja diárias cresceu consideravelmente. Agora, ele chega a beber cerca de 10 latas por dia. E "no fim de semana, a quantidade dobra".

E não é só na casa de Alexandre que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou, as vendas online por delivery aumentaram cerca de 800%, segundo a revista Época. A nutricionista Izabela Freitas alerta para os perigos do exagero nesse consumo, que pode prejudicar a imunidade.

"A bebida é prejudicial na dieta e na questão da imunidade pois o álcool é extremamente imunossupressor, principalmente quando consumido em demasia. Ele afeta as células de defesa do nosso organismo contribuindo para que o vírus chegue ao nosso corpo mais rapidamente e avance de forma exacerbada", explica a mineira, que atende em consultórios na Barra da Tijuca e em Botafogo.

Não é que a prática deva ser cortada da rotina, mas, de acordo com a especialista, é preciso estar atento aos riscos do consumo exacerbado, principalmente quando estamos diante de uma pandemia. 

"Não está proibido, mas é preciso quantificar o que é bebido ao longo de uma semana porque, além de aumentar o valor calórico consumido, você estará prejudicando todo o sistema imunológico, algo muito importante nesse período da pandemia. Ninguém quer ir parar no hospital com qualquer infecção que pode não ser o coronavírus e acabar se expondo, não é?", alerta Izabela.

 

Um pouco de vinho pode fazer bem

Não é toda bebida alcoólica que vai prejudicar a sua saúde, pelo contrário. A nutricionista Izabela Freitas, inclusive, chama atenção para as propriedades positivas do vinho tinto seco, desde que em pequenas quantidades.

“O vinho tinto seco é positivo, e muito legal para se beber diariamente, mas em doses pequenas, sabendo que uma taça de 125 ml tem aproximadamente 150 calorias, um valor calórico reduzido, além da uva tinta ter vários antioxidantes que favorecem muito o nosso corpo”, explica Izabela.

Outra dica é misturar um limão espremido, meia colher de café de cúrcuma ou açafrão da terra e meia colher de café de gengibre em pó, e tomar uma pequena dose (‘shot’). “Eu gosto muito de fazer quando acordo, mas é possível fazer à noite ou antes de dormir”, indica a nutricionista.

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