Atrasos nos salários da saúde

Sem o repasse financeiro, profissionais estão trabalhando há mais de dois meses sem salário

Por Maria Clara Matturo*

Profissionais prejudicados estão reivindicando o pagamento dos salários e a manutenção dos empregos
Profissionais prejudicados estão reivindicando o pagamento dos salários e a manutenção dos empregos -

Em meio ao combate à Covid-19, profissionais da saúde estão com salários atrasados no Rio. Nesta terça-feira, o Sindicato dos médicos do Rio (Sinmed-Rj) e o Sindicato dos Enfermeiros (Sindenf-Rj) entraram com uma ação coletiva no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-Rj), reivindicando o pagamento dos salários e a manutenção dos empregos.

A falta de pagamento para os profissionais das unidades é consequência da falta de repasse financeiro, da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, para as organizações responsáveis pela administração dos hospitais. Alguns profissionais já estão sem receber a mais de dois meses. "A Secretaria está envolta em escândalos de corrupção e no final das contas os repasses não tem sido feito para as organizações sociais", explicou o presidente do Sinmed Alexandre Telles.

Entre as unidades com salários atrasados estão as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana, Botafogo e Taquara, o Hospital de Anchieta e os médicos do Samu.

Regularização dos contratos

Após as denúncias de corrupção e mais uma troca de secretário, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou em nota que todos os contratos que venceram, ou estão por vencer, com as organizações sociais "estão sendo revisados pela SES, em conjunto com a Procuradoria Geral do Estado e a Controladoria Geral do Estado."

No entanto, Alexandre reforçou que a consequência dessa ação não pode prejudicar estes profissionais, principalmente em um momento que eles são tão necessários: "o sindicato apoia todas essas investigações, mas essa regularização não pode prejudicar o lado mais fraco dos trabalhadores. O salário é de natureza alimentícia, esses profissionais têm contas para pagar".

Por isso, os sindicatos pediram a mediação do Tribunal Regional do Trabalho, esperando uma conciliação com o estado. "Pedimos uma conciliação no TRT para chegarmos numa conclusão com as organizações sociais. Em meio a essa crise sanitária nós temos as nossas responsabilidades, mas o estado também tem que arcar com as dele", reforçou o presidente do Sinmed.

Em nota, o TRT afirmou que o processo está para análise do desembargador Cesar Marques Carvalho, e a Secretaria ressaltou que "está respondendo a todos os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público Estadual".

* estagiária sob supervisão de Luana Dandara

Funcionários repudiam gestão

 Uma carta assinada por servidores ativos e inativos da Secretaria Estadual de Saúde do Rio declarou repúdio ao comportamento da pasta. No texto, eles denunciam atos inconstitucionais, citam a falta de gestão e pedem o fortalecimento dos servidores.

"Indicamos nosso cansaço e insatisfação com as constantes mudanças da cúpula dirigente, em geral, sem proposta clara de mudanças na condução de políticas públicas de saúde no estado. São recorrentes as paralisações de programas sanitários e alterações injustificadas de atividades, em decorrência da reformulação de equipes e chefias que sempre chegam com cada novo secretário. Isso implica em perda da memória institucional e enfraquecimento da capacidade gerencial da SES/RJ", reforça a carta.

Desde o início da pandemia do coronavírus, a Secretaria foi alvo de acusações de fraude e corrupção, e está no terceiro secretário no período de três meses.

*Estagiária sob supervisão de Bete Nogueira

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