Rio de Janeiro - RJ - 13/09/2020 - Protesto dos profissionais das escolas particulares na orla de Copacabana - Foto Gilvan de Souza / Agencia O Dia
 - Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 13/09/2020 - Protesto dos profissionais das escolas particulares na orla de Copacabana - Foto Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Por Gabriel Sobreira
Rio - Representantes das escolas e creches particulares do Rio de Janeiro comemoraram a cassação da liminar que proibia o retorno às aulas na rede privada. Segundo a decisão do desembargador Carlos Henrique Chernicharo, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ), escolas particulares já podem retomar as atividades a partir de amanhã tanto nas turmas de ensino fundamental quanto médio.
“As nossas escolas estão festejando com essa liminar que caiu. Realmente fizemos justiça porque a escola é o lugar mais preparado para acolher e para que nossas crianças estejam bem guardadas e fazendo o seu desenvolvimento de forma segura’, afirma Claudia Jordão, representante do grupo de escolas particulares do Rio de Janeiro.
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Na manhã deste domingo, centenas de manifestantes fizeram uma passeata pacífica na orla de Copacabana contra a medida que proibia a volta às aulas. “Era para mostrar que somos essenciais, o quanto é importante nossas escolas estarem abertas pelas crianças que precisam retornar, pelos pais que precisam voltar ao seu mercado de trabalho e estão querendo colocar nas nossas escolas”, defende.
Para quem ainda está em dúvida, Helena de Castro, presidente da Associação de Creches e Escolas Particulares do Rio de Janeiro (ACEP Rio), afirma que todas as escolas e creches particulares estão cumprindo rigorosos critérios de segurança pautadas pelas Regras de Ouro da Prefeitura do Rio e agentes de saúde. “Temos pediatras trabalhando em conjunto com escolas particulares na elaboração de protocolos para garantir segurança tanto para os profissionais das escolas quanto para os alunos. Lembrando que o retorno é voluntário e gradativo e que nossos profissionais que estão em quadro de risco ou de morbidade significativa permanecerão em home Office”, conta ela.
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Helena explica ainda que as escolas e creches estão há 200 dias fechadas e que as consequências são as mais variadas. Segundo ela, as instituições de educação infantil estão com 50% de cancelamento de matricula e as escolas de fundamental 1, 2 e médio estão trabalhando com 20% de evasão e mais de 70% de inadimplência.
“Nesse momento de pandemia, em que nós, que estamos regularizados, estamos impedidos de abrir, o aumento de estabelecimentos ilegais aumentou muito. Eles não têm a mesma condição de oferecer protocolo de segurança como as escolas legalizadas. É extremamente perigoso manter as escolas fechadas porque os pais não têm opção para deixar seus filhos e contratam esses locais e colocam crianças em risco”, alerta.
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Com a palavra o infectologista
Quem defende o retorno às aulas é o infectologista Alberto Chebabo. Para ele, isso deve acontecer nas cidades onde se tem uma redução importante por algumas semanas do numero de casos de contaminação e de óbitos. “A volta deve acontecer principalmente com as crianças menores. Primeiro pela questão da educação. Essas crianças dependem do convívio social pro crescimento cognitivo. Mantê-las em casa não acredito que seja uma opção uma vez que elas necessitam desse convívio”, afirma o especialista.
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Chebabo explica que outra razão fica por conta dos protocolos de segurança. “É claro que a gente vai ter casos acontecendo, como está tendo casos em todas as outras atividades. Mas esses casos podem ser monitorados e os protocolos devem ser rígidos de controle, de distanciamento, de uso de mascara, higienização em crianças maiores, dos professores. E o mais importante, o protocolo de manter afastado todas aquelas pessoas que sejam sintomáticas e seguir/investigar os casos sintomáticos”, aponta.
Segundo ele, é possível que em algum momento tenha que fechar algumas classes ou escolas, caso haja um surto detectado naquele espaço. “Mas manter as escolas fechadas até ter uma vacina é uma situação irreal. A gente não sabe quando isso vai acontecer. E não tem como a gente deixar as crianças em casa esse período todo. Em relação aos pais inseguros, eu acho que esse retorno não deve ser obrigatório. Os pais que quiserem mandar seus filhos para a escola devem mandar, e os inseguros, a partir do momento em que as escolas começarem a funcionar e sentirem que o protocolo está sendo seguido, e que não houve nenhuma situação crítica acontecendo se sentirão seguros e vão mandar os filhos para a escola no seguir do período”, explica Chebabo.