Benedita, com Freixo:
Benedita, com Freixo: "Esquerda se une em causas pontuais", diz elaArquivo/Ricardo Stuckert
Por Gabriel Sobreira
Publicado 15/09/2020 00:00 | Atualizado 15/09/2020 09:48

Uma eventual união da esquerda para concorrer à Prefeitura do Rio não se concretizou. A última vez que isso aconteceu nas eleições municipais do Rio foi em 1992 quando PT-PPS-PCdoB-PSB se uniram na frente 'Feliz Cidade'. Este ano, partidos como PT, PSOL, PDT, PC do B, PSTU e PMB lançaram candidaturas únicas. Até teve um manifesto assinado por artistas como Caetano Veloso e Malu Mader pedindo Marcelo Freixo como representante da frente única da oposição.

"Nenhuma cidade passa pelos governos do PMDB e do Crivella sem sentir profundamente a corrupção e o crime organizado nas suas estruturas. Vencer isso não é papel de herói. É preciso maturidade e união", defende o deputado federal do PSOL.

Sobre o abaixo-assinado, Freixo frisa que a candidata dele é Renata Souza e que tinha dito que estará aberto ao diálogo "sobre alianças contra o bolsonarismo". "Agora e sempre", afirma.

Para a deputada Martha Rocha, candidata do PDT, por duas razões não avançou a unidade da esquerda. "Primeiro, a impossibilidade de coligação na proporcional. Ter um candidato é algo importante para o partido na campanha para vereador. A segunda questão é que a união das esquerdas partiu de um 'contrato' de adesão com Marcelo Freixo", afirma a ex-delegada.

"Será que o Freixo é o único representante da esquerda com condição de governar? Se pensarmos em forma conjunta o melhor nome, e não ter que aderir à campanha de Freixo, talvez o resultado fosse outro", vislumbra. "Com todo respeito a todo mundo que lançou o nome dele, existe vida além de Marcelo Freixo", acrescenta ela.

De acordo com a pré-candidata à Prefeitura do Rio, a deputada federal Benedita da Silva, a chapa de unidade que vinha sendo construída com PSOL e PT acabou não acontecendo por causa da desistência de Freixo.

Benedita conta que a união da esquerda traz vantagens como unificação de forças, militância e tempo de rádio e TV. "Por todas essas vantagens práticas, mas também pelo princípio da unidade programática e estratégica, eu sempre valorizo a política de alianças entre as forças da esquerda".

Benedita lembra que houve um período longo de aliança das esquerdas, inaugurado nas eleições presidenciais de 1989 com a Frente Brasil Popular, reunindo PT, PC do B e PSB.

"Perdurou até a reeleição da presidenta Dilma, pois, em seguida, veio o golpe de 2016. As exceções foram nas eleições de 2002 e 2014, quando o PSB disputou em separado. As esquerdas atuam unidas nas lutas pontuais nas ruas e no Parlamento, mas nas eleições a tendência é sempre fazer a disputa programática no primeiro turno e se unir eleitoralmente no segundo turno com o partido que conseguir chegar lá", pontua.

 

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