Geovanna, em tratamento de leucemia no Hospital da Criança, deseja ser médica para tratar dos pequenos   - Divulgação
Geovanna, em tratamento de leucemia no Hospital da Criança, deseja ser médica para tratar dos pequenos Divulgação
Por O Dia
Rio - O sonho da pequena Geovanna Souza dos Santos, de nove anos de idade, é ser médica e tratar de crianças com câncer. A menina, moradora de Sepetiba, na Costa Verde do Rio trata a leucemia no Hospital Estadual da Criança (HEC), em Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio desde 2015. E neste Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, celebrado nesta segunda-feira, a Secretaria de Estado de Saúde faz um alerta sobre a doença.
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Na consulta feita no dia 9 de novembro, Geovanna, mesmo que de brincadeira, se transformou em médica e com um estetoscópio em mãos, a doutora Ana Letícia Fernandes, sua médica, virou sua paciente. Uma vocação que já aflora agora.
"Quero ser médica para ajudar as pessoas com câncer. Desejo trabalhar com crianças e sarar os pequenos, oferecendo o mesmo benefício que tenho aqui", disse Geovanna.

Em 2015, ela deu início ao tratamento da leucemia, doença que é caracterizada pela quebra do equilíbrio da produção dos elementos do sangue, causada pela proliferação descontrolada de glóbulos brancos. 

Para a coordenadora do setor de Oncologia Pediátrica do HEC, Patrícia Moura, se por um lado o câncer em adultos está ligado ao envelhecimento, tabagismo, álcool, entre outros riscos de exposição, o câncer na infância não tem relação com fatores ambientais e de estilo de vida. Por esse motivo, é muito importante o diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento e ficar atento a alguns sinais e sintomas.

"A perda de peso contínua e inexplicável, dores de cabeça associadas a vômitos matinal, aumento do inchaço ou dor persistente nos ossos ou articulações são sinais de alerta. Além disso, a criança também pode mancar ao caminhar, apresentar hematomas excessivos, ter aparência esbranquiçadas e febre", enumerou Patrícia Moura, médica oncohematologista do HEC.

Glaucianner de Souza Cruz, mãe Geovanna, estava atenta aos sinais e percebeu o surgimento de uma mancha roxa na perna da filha, mesmo sem que ela tenha tido queda e indolor.

"Tudo começou, em novembro 2015, com uma mancha roxa, depois apareceu outra na barriga. Busquei assistência para minha filha em várias unidades de saúde e falaram que era coisa de criança. Não acreditei e, ao fazer exame de sangue, descobri que suas plaquetas estavam muito baixa, passando de 28 mil para 14 mil. Na UPA de Sepetiba, a médica identificou também nódulos na região da virilha e do pescoço, além da necessidade da realização de transfusão de sangue. Geovanna foi encaminhada ao Albert Schweitzer até ser regulada em novembro para o Hospital Estadual da Criança, onde foi identificada a leucemia", revela a mãe.

A mãe da menina ainda relatou sobre os momentos difíceis que passou durante o tratamento. "Em 2016, foi a fase mais difícil para todos nós. Ela chegou a fazer 24 horas de tratamento ininterrupto, sem contar com os períodos de internação e sessões de quimioterapia feitas até quatro vezes por semana. Quando o cabelo caiu, ela sentiu, mas contamos com o apoio psicológico e de toda equipe do hospital para superar o problema. Só tenho elogios para a unidade", explicou Glaucianner.

Depois de dois anos de quimioterapia, Geovanna Souza está na fase de controle do tratamento de leucemia, com idas ao HEC a cada quatro meses para consulta médica e exames laboratoriais. Uma vez por ano, ela também realiza exames completos e avaliações multidisciplinares. Com estado de saúde ótimo, segundo hematologista e pediatra do Hospital da Criança, Ana Letícia Fernandes, a expectativa é que ela tenha alta definitiva em 2022, depois de cinco anos de término do tratamento.

Câncer de sangue, como leucemia, lidera as ocorrências pediátricas

Uma pesquisa do INCA (Instituto Nacional de Câncer), de 2016, aponta que o câncer pediátrico (de 0 a 19 anos de idade) representa 3% do total da doença em adultos. Já os cânceres do sangue, como a leucemia e o linfoma, estão no topo da lista dos mais recorrentes. O levantamento indicou os seguintes resultados: leucemia com 28% das incidências, tumores de sistema nervoso com 26%, linfomas 8%, tumor de Wilms 6% (tumor renal) e tumores de partes moles (músculos, gordura, tendões, ligamentos, vasos sanguíneos, nervos periféricos e outros tecidos) com 6%.

De acordo com a doutora Patrícia Moura, os métodos utilizados atualmente no tratamento do câncer infantil garantem altos índices de cura, entre 70% a 80%. Mas, para se chegar nesse patamar, é fundamental o diagnóstico precoce e tratamento em serviços especializados.

"O câncer infanto-juvenil é raro e sua identificação difícil, pois os sintomas podem se misturar a outras doenças típicas da infância. Crianças podem ficar doentes ou ter hematomas que podem mascarar os primeiros sinais de câncer, por isso é importante que os pais levem seus filhos ao pediatra, regularmente, além de estarem atentos a quaisquer sinais ou sintomas persistentes. Caso eles não desaparecerem em um prazo de sete a dez dias, volte ao médico para obter um diagnóstico mais detalhado com exames laboratoriais e radiológicos", recomendou a coordenadora do setor de Oncologia Pediátrica do HEC.

Em 2019, o Hospital Estadual da Criança realizou 2.779 consultas oncológicas de acompanhamento. A unidade ainda ressaltou que todas as consultas, de primeira vez, são encaminhadas pela Central Estadual de Regulação, tendo 32 casos novos confirmados. Até setembro deste ano, a unidade já realizou 2.025 consultas oncológicas de controle e 39 casos novos foram identificados com a doença, sendo destes 16 com diagnóstico de leucemia aguda.

O hospital atende crianças e jovens de 0 a 19 anos, sendo a primeira unidade pública pediátrica no estado voltada para cirurgias de média e alta complexidade de cirurgias gerais, microcirurgia, plásticas, ortopédicas e neurocirurgia, além do tratamento oncológico e transplante renal e hepático. Segundo o hospital, desde sua inauguração, em 2013, já foram realizados cerca de 36.372 procedimentos cirúrgicos, 137.523 consultas, 197 transplantes (115 hepáticos e 82 renais).