Prefeito Marcelo Crivella descartou realizar lockdown e disse que pacientes deverão realizar exames de tomógrafos aos primeiros sintomas de covid-19 - Beatriz Perez
Prefeito Marcelo Crivella descartou realizar lockdown e disse que pacientes deverão realizar exames de tomógrafos aos primeiros sintomas de covid-19Beatriz Perez
Por Beatriz Perez
Rio - O prefeito Marcelo Crivella atribuiu nesta quarta-feira o aumento dos casos de covid-19 ao descuido das regras de ouro e ao processo eleitoral. A Vigilância Sanitária, no entanto, admite que ainda não tem um estudo estatístico que comprove o impacto do pleito no aumento da curva de transmissão na cidade. Crivella anunciou que a partir de agora eventos passarão a ser fiscalizados em conjunto com a Polícia Militar e que organizadores poderão receber voz de prisão em caso de descumprimento de protocolos.
Apesar de ter convocado uma coletiva de imprensa, o prefeito saiu do Riocentro, na Zona Oeste do Rio sem responder perguntas da imprensa.
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Durante sua fala, Crivella classificou o atual estágio da pandemia como uma endemia e descartou adotar novamente o lockdown. "A nossa endemia, já não é mais pandemia, aumentou tendo em vista o processo eleitoral: muita gente na rua, milhares de urnas, as pessoas indo as urnas, e isso faz com que aumente a aglomeração e com ela o contágio", disse o prefeito.
O prefeito minimizou a doença no Rio ao afirmar que o número de mortes na cidade no último mês foi parecido com o de outubro do ano passado.
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"A nossa primeira onda começou com 7 mil óbitos em abril, subiu para 10 mil óbitos em maio e caiu para 6 mil em junho, e a partir daí foi caindo para os números entorno de 5 mil, que é a média mensal de óbitos no Rio de Janeiro de outros anos e que continuam normais até hoje. No mês passado tivemos 5.500 óbitos na cidade do Rio de Janeiro e no mesmo mês de outubro de um ano passado foram 5.100", disse.
Crivella disse que não cogita realizar um lockdown no Rio de Janeiro. O prefeito afirmou que o carioca que se contagia e receber o tratamento no início da doença se torna um patrimônio para a cidade.
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"A pessoa que se trata preventivamente se torna um patrimônio da cidade porque ela está imunizada, tem anticorpos. Quando chegar a vacina, não precisa ser vacinada nas primeiras horas. Vamos imunizar primeiro quem precisa mais, quem não está imunizado. Aquela pessoa que já pegou a doença e se tratou e está imunizada e tem anticorpos, ela é um patrimônio para nossa saúde, graças a Deus nós a temos imunizada", disse.
O prefeito disse que a Rede Municipal vai rever o protocolo adotado inicialmente de que apenas pacientes mais graves deveriam procurar atendimento. A orientação agora é de que a população procure atendimento aos primeiros sintomas. Crivella ressaltou que a nova orientação será realizar exames de tomógrafos na população aos primeiros sintomas da doença.
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"Estamos todos convencidos de que devemos fazer o contrário do que era recomendado pela OMS no início da pandemia. Queremos trazer as pessoas nos primeiros sintomas". Crivella destacou os 27 de tomógrafos da Prefeitura para pedir que a população realize tomografia ao sentir os primeiros sintomas da doença. "O PCR tem falhas, mas não existe falso positivo e falso negativo em tomógrafo", disse.
Eventos serão fiscalizados com PM
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Ao comentar eventos que têm provocado aglomerações no Rio, Crivella disse que a fiscalização da Guarda Municipal e da Vigilância Sanitária será realizada em conjunto com a Polícia Militar. "Agora, a PM vai estar junto. Pode ter ordem de prisão. A pessoa pode ser levada à força para a delegacia, além de pagar uma multa muito forte", anunciou Crivella. Segundo o superintendente de Vigilância Sanitária Flávio Graça os eventos que desrespeitarem o protocolo sanitário receberão multa gravíssima, entorno de R$ 13 mil, que pode ser dobrada e podem sofrer cassação de alvará.
Reabertura de leitos
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O prefeito fez um apelo para que a rede privada reabra leitos e disse que a Rede Municipal de Saúde pode abrir mais leitos a qualquer momento, conforme a demanda.
O subsecretário de Saúde Jorge Darze informou que o município tem a capacidade de ampliar a rede em 922 leitos de enfermaria e 394 de UTI, conforme a demanda. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o sistema público de saúde da capital (rede municipal, federal e estadual) tem 513 pacientes internados em leitos de UTI, chegando a 93% de ocupação. À espera de atendimento, são 77 doentes para 35 leitos.
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Nos últimos 15 dias, houve um aumento de 20% na atenção básica por conta de sintomas relacionados à covid-19, acrescentou Darze.
Para evitar mais contágios e dar conta da pressão na rede de Saúde, Crivella disse que vai receber ajuda do governador do Estado, Cláudio Castro, para compra de medicamentos e reforço de mão de obra. Segundo Crivella, o Governo do Estado oferecerá recursos para que agentes da Saúde da Família recebam gratificações e identifiquem pessoas com primeiros sintomas para realizarem tomografia.
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"Falta medicamento e mão de obra. O Governo do Estado vai nos ajudar. Leitos nós temos", declarou Crivella.
Disk-covid
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Crivella disse que propôs em reunião entre os prefeitos do Rio e o governador em exercício, Cláudio Castro, a criação do disk-covid, no qual a população poderia ligar e os agentes de Saúde seriam acionados em seguida. O subsecretáio de Saúde Jorge Darze, no entanto, admitiu quando questionado na coletiva de imprensa, que desconhecia o projeto.