Politica - Entrevista exclusiva com o prefeito eleito, Eduardo Paes, no prédio da Firjan, no centro do Rio
Politica - Entrevista exclusiva com o prefeito eleito, Eduardo Paes, no prédio da Firjan, no centro do RioReginaldo Pimenta
Por Bruna Fantti
 RIO - Em entrevista exclusiva ao DIA, o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), falou que quer consultar a população através de votações para projetos. Um deles é a possível derrubada da Ciclovia Tim Maia. Paes também quer mais representatividade no seu governo, como negros no alto escalão e revela mais um nome do seu futuro secretariado: Marli Peçanha, que fez a ponte com moradores realojados durante as obras olímpicas. E, já tem tratativas para eventos no Rio: quer tirar o Web Summit de Porto Alegre para os cariocas. Confira:
O DIA: Se a abstenção fosse uma candidata o senhor perderia as eleições. O senhor avalia que o grande número de faltosos ocorreu somente por conta da pandemia ou isso também reflete uma descrença da população com a classe política?
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PAES: Acho que isso tem a ver com a pandemia, sim. Você pega onde teve um maior número de abstenção foi justamente onde tem eleitores mais velhos, as pessoas têm medo, enfim. É óbvio que tem uma abstenção tradicional no Rio de decepção com a política, mas acho que nesse nível tem muito a ver com a pandemia, sim.
DIA: Após eleito, o senhor conversou com o presidente Jair Bolsonaro. Qual foi o tom dessa conversa e do que falaram?
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PAES: Foi um simples cumprimento, muito rápido, muito objetivo. O senador Flávio Bolsonaro ficou de marcar um encontro nos próximos dias, então, estou aguardando o senador marcar o dia que ele pode me receber e irei, imediatamente, para Brasília. Mas foi isso: uma conversa muito rápida, só dei um abraço, agradeci.
DIA: Diferente dos mandatos anteriores, nos quais apesar de existir o impacto da crise financeira de 2008 havia a previsão dos grandes eventos, como Copa e Rio 2016, hoje temos uma crise fiscal sem a previsão de grandes investimentos para o Rio. Como o senhor pretende mudar esse panorama e atrair investimentos para a cidade?
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PAES: É isso, a gente tem que mudar essa previsão de eventos. Hoje, por exemplo, já conversei com um sujeito que está em Portugal. Tem um evento, chamado Web Summit que está ameaçando ir para Porto Alegre e, hoje mesmo cedo, já conversei com o responsável para tentar trazer esse evento para o Rio. E acho que tem uma coisa de percepção sobre a cidade, relacionada com a gestão do Crivella. O estilo dele, a maneira como ele lidava com as coisas tornou a cidade pouco atraente para investimentos, para negócios. E, acho que a gente tem uma oportunidade nessa virada de dizer: 'estamos sob nova administração, sob nova gerência, então, venham para o Rio'. Pode ter certeza que vamos mudar esse quadro.
DIA: E é uma frente de geração de empregos. O senhor pensa em outras frentes para fomentar mais empregos?
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PAES: Sim, essa é forma mais natural é atrair investimentos, recuperar a economia da cidade, voltar o bom astral, voltar o cuidado com a cidade. Mas tem também uma coisa de ações diretas de governo, por exemplo: retomar nas favelas as frentes de trabalho com o gari comunitário, Guardiões dos Rio; são todos programas que aquecem a economia e geram emprego. Tem uma frente mais estatal, que nunca é suficiente e nem deve ser, e tem uma frente que é de atrair investimentos para a cidade.
DIA: O seu ex-secretário de Obras, Alexandre Pinto, foi condenado por corrupção. O senhor pretende nessa gestão implementar mecanismos de controle da corrupção?
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PAES: Sem dúvida. O objetivo é fazer algo além dos sistemas de controles formais que a prefeitura já tem, como a controladoria, o Tribunal de Contas do Município, procuradoria. Eu defendo que a gente tenha uma postura mais ativa de observação das pessoas, de sinais externos de riqueza, teste de integridade. Acho que são medidas importantes. No caso que você falou do secretário, eu nunca fui alertado por nenhum órgão de controle sobre eventuais delitos que ele estivesse cometendo, senão teria demitido.
DIA: Na Educação o senhor promete contratar 3 mil professores, abrir 30 mil vagas nas creches, distribuir tablets aos alunos. De onde o dinheiro?
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PAES:  Governar é estabelecer prioridades. O secretário Pedro Paulo, que conhece bem as finanças da prefeitura, vai organizar as contas. Recurso tem, mas a gente prioriza. Sem dúvida alguma a prioridade número um é a Saúde, e algumas questões relativas à Educação, também. Você tem essa questão do Conectados que  é um investimento, mas não podemos deixar as crianças sem aula mais um ano caso
a pandemia se estenda.
DIA: O senhor disse que quer fazer um governo antirrascista. No entanto, nas suas gestões anteriores não havia negros no alto escalão. Pretende mudar isso? Já tem nomes em mente?
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PAES: Vou mudar isso, sim, certamente. Já estou conversando com algumas pessoas, mas não tenho nenhum nome para anunciar ainda, não. Tem uma pessoa que trabalha há muito tempo comigo, há muitos anos, que é uma mulher negra, a Marli Peçanha, que quero colocar como minha secretária. Ainda não sei onde ela vai ficar.
DIA: No seu plano de governo, a respeito do IPTU há a previsão de redução dos reajustes. Será no primeiro ano?
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PAES: A gente se comprometeu em reavaliar as situações absurdas e reduzir onde deve ser reduzido. Isso vai acontecer ano que vem, sim.
DIA: Ciclovia Tim Maia. A população que vai decidir se vai continuar ou não?
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PAES: Nós vamos ver como a gente faz isso. Vou defender que a ciclovia permaneça, mas para isso preciso dos pareceres técnicos, dos estudos, apresentar isso para a população e perguntar se ela quer que continue. Acho que é até um modelo interessante, passar a consultar a população em alguns, mas temos que ver como faremos isso de forma simplificada.
DIA: No final do seu governo, qual manchete gostaria de ler na manchete do Dia?
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PAES: Que o Rio possui a melhor saúde pública do Brasil.