Alexandra descobriu seu talento ao fazer um curso na ONG Favela Mundo - Favela Mundo / Divulgação
Alexandra descobriu seu talento ao fazer um curso na ONG Favela MundoFavela Mundo / Divulgação
Por RAI AQUINO
Rio - Nos últimos cinco anos, Alexandra Leite, hoje com 24 anos, vivenciou profundas transformações em sua vida. Nesse perídio, a cria do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, fez um curso de maquiagem, acabou virando professora dele e hoje tem o seu próprio negócio no ramo da beleza. A moradora da favela Nova Holanda descobriu o talento como maquiadora graças a um curso da ONG Favela Mundo.
"Uma amiga da minha mãe se matriculou e me chamou para conhecer. Até então, não tinha interesse, porque não me achava capaz. Eu era nova e não passava pela minha cabeça aprender algo assim", relembra.
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Mas ela não só aprendeu como rapidamente descobriu que ali havia um grande talento. Alexandra teve o apoio dos professores, que a incentivavam, tanto que ela foi contratada por uma delas para ser sua auxiliar. As duas, inclusive, foram responsáveis pela caracterização dos integrantes da bateria do Salgueiro, no Carnaval de 2018. 
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"Foi uma descoberta. Até que passei a comprar uma coisinha de maquiagem aqui e outra ali, porque não tinha nada e um kit completo era muito caro", conta.
PRIMEIRAS CLIENTES
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As amigas foram suas primeiras clientes, que a contratavam em troca de um valor simbólico, que a empreendera investia de volta no próprio negócio. Vendo futuro na maquiagem, Alexandra chegou a deixar o emprego de auxiliar administrativa.
"Todo início é difícil, mas eu conseguia fazer um dinheiro, que me sustentava e dava para eu comprar as coisas que precisasse. Cheguei a abrir um espaço na Maré, mas não deu muito certo financeiramente. Esqueci que tinha que estudar finanças antes", diverte-se.
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Entre uma maquiagem e outra, a empreendedora foi convidada para ser professora na Favela Mundo, onde descobriu seu talento. Ela começou sendo auxiliar de sua professora, até que assumiu uma turma no ano passado.
"Como o projeto é itinerante, em 2018 comecei na Rocinha e no ano passado dei aula em uma escola de Coelho Neto. Foi incrível, e a todo o momento passava um filme na minha cabeça, que estava indo de aluna à professora", comemora.
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PANDEMIA
Com a pandemia, no início do ano, a empreendedora viu seu negócio diminuir, porque não estava havendo festas e grandes comemorações, de onde vinham a maior parte de sua clientela. Mas ela se reinventou e apostou em uma nova atividade como renda.
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"Eu vi uma logomarca em placa de MDF em um local, perguntei quanto custou e calculei que podia trabalhar com isso também. Postei uma foto na Internet e as pessoas começaram a me perguntar. Hoje, minha principal renda vem das placas e no futuro pretendo viver das duas atividades", projeta.
Alexandra conta com a ajuda do namorado para fazer as entregas do artesanato em MDF. Como os pedidos de maquiagem estão voltando aos poucos, ela já tem planos para quando a pandemia acabar e tudo voltar ao normal.
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"As placas têm me dado um retorno financeiro legal. Então, estou pensando em comprar um carro para me locomover", calcula. "Quero crescer, para ser uma profissional mais qualificada com as minha clientes ainda mais felizes".