Aluguel de cilindro dispara e pode chegar a R$ 2 mil por mês
Aluguel de cilindro dispara e pode chegar a R$ 2 mil por mêsreprodução
Por Bruna Fantti

Rio - A busca pelo aluguel de cilindro de oxigênio domiciliar disparou nas principais empresas da cidade do Rio. É o que aponta levantamento do DIA, feito diretamente com as lojas que fornecem o equipamento para pessoas que estão se recuperando do coronavírus em casa. Em uma empresa, a procura quadriplicou na última semana. A busca pelo oxigênio domiciliar coincide com o aumento de casos de internação nos hospitais da cidade, por conta da Covid-19.

A empresa GasLabLife Care, com sede em Vila Valqueire, na Zona Norte, chegou a fechar ontem devido à grande demanda. "A loja abre às 8h da manhã. As pessoas começam a formar fila às 5h da manhã, com medo de não conseguirem um cilindro ou um concentrador de oxigênio", afirmou Márcio Barbosa, dono da empresa. "Neste sábado, só estou atendendo as pessoas que já alugaram nossas equipamentos. Na segunda-feira, vou abrir fila para os últimos 10 equipamentos disponíveis", explicou, acrescentando que novos equipamentos devem chegar por conta da devolução dos aparelhos alugados.

A GasLab fornece o aluguel de cilindro e também de um equipamento mais barato, chamado concentrador. "Foi usado pelos americanos na 2ª Guerra Mundial, principalmente para andar no deserto do Saara. Ele tira o oxigênio do ar e dispensa uso do cilindro, que é mais caro". O aluguel do condensador, dependendo do modelo, varia de R$ 350 a R$ 500. 

Na última semana, a GasLab alugou 25 condensadores. "Não há mais para comprar no mercado. Além disso, muita gente aluga o condensador e o cilindro, porque, em crises, o cilindro atua mais rápido. Já separei um para o meu irmão, que está entubado no hospital em decorrência do coronavírus", disse Barbosa. Atualmente, a empresa tem 130 equipamentos alugados,  número quatro vezes maior do que o período do início da pandemia.

Outra empresa, que tem cinco filiais espalhadas pela cidade, informou que o aluguel mensal do cilindro pode chegar a R$ 2 mil. "Houve aumento de demanda na última semana, muito maior do que o registrado em maio, quando tivemos um pico", disse um funcionário. 

O gerente médico do Hospital Badim, Antonino Eduardo, explica quando é necessário o uso em casa de oxigênio. "Se deve às sequelas pulmonares secundárias à Covid, em especial para pacientes que passaram por intubação orotraqueal e suporte ventilatório mecânico. Ocorre hipotrofia de músculos associados à respiração, além de sequelas pulmonares que dificultam a capacidade respiratória", explicou. E, emendou: "Apenas os pacientes com curso grave de doença e submetidos a ventilação mecânica e os previamente doentes". 

Mas algumas empresas informaram que pessoas que nem precisaram de internação pedem para alugar os equipamentos. "Elas têm medo que o caso piore em casa e, como a internação é só para casos graves, buscam alugar", disse um funcionário de uma terceira loja consultada na zona sul, que preferiu não se identificar.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que, até ontem, foram 23.099 óbitos por coronavírus. No sábado, 82 pessoas morreram e 2.626 foram infectadas. Atualmente, 219 pessoas esperam vagas na UTI do Estado, e a taxa de ocupação está em 93% da sua capacidade, no município do Rio de Janeiro. 

Na rede particular, o panorama não é diferente, em relação aos leitos para Covid-19. No Hospital Unimed-Barra a taxa de ocupação está em 95%. E, no Badim, Tijuca, aumentou em 60% na última semana.

 

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