
Choro e sorriso marcam a nossa trajetória. Choramos ao nascer e fazemos nossos pais derramarem lágrimas, em meio a sorrisos, neste instante em que a magia da vida se revela. E vamos experimentando, nos ciclos da nossa caminhada, momentos em que as duas emoções se revezam, inexistem ou até se complementam.
Chorar de felicidade é um registro lindo demais de se ter gravado no coração. É como se o riso tivesse escolhido o olhar para representá-lo em ocasiões muito especiais.
O personagem de maquiagem forte no rosto e bola vermelha no nariz tem o encanto de arrancar o riso fácil dos pequenos e permeia nossa memória infantil. Mas será que, em algum momento, o homem que dá vida a essa fantasia já não guardou seu pranto nos bastidores para cumprir sua missão de nos transmitir alegria? Admiramos essa figura de aura lúdica e, quando aprendemos a rir de nós mesmos, descobrimos o encanto de lidar melhor com nossos problemas e fraquezas.
Mas como fazer graça quando a aridez da vida teima em ser uma visita demorada demais para nós? O que pode motivar nossos sorrisos, mesmo que contidos? Talvez eles possam encontrar alguma razão quando resgatamos uma lembrança boa, acenamos para um amigo ou vemos uma mensagem no celular e rimos, sozinhos, somente com a cumplicidade da tela.
Nunca sabemos como as emoções vão surgir no nosso percurso. Um só dia pode reunir algumas delas. Nosso trajeto é sempre feito de felicidades e tristezas: as nossas, as de quem amamos e as de pessoas mais distantes, mas que nos fazem ser empáticos e solidários.
Em momentos tão ruidosos, as alegrias simples parecem se revelar como verdadeiros tesouros para o coração.




