PM preso por matar jovens em Belford Roxo pede para ir a enterro de avó
Advogado destaca que Jorge Luiz Custodio da Costa foi criado por sua avó que ocupa a figura maternal para o PM
Enterro do jovem, Edson de Souza Arguinez Junior, no Cemitério da Solidão, em Belford RoxoEstefan Radovicz / Agencia O Dia
Por Beatriz Perez
Rio - O policial militar Jorge Luiz Custodio da Costa, preso suspeito de executar os jovens Edson de Souza Arguinez Júnior e Jhordan Luiz de Oliveira Natividade pediu nesta terça-feira autorização para ir ao enterro de sua avó na tarde de hoje no Cemitério de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. A Justiça ainda não analisou o pedido. A cerimônia estava marcada para as 14h30.
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O advogado destaca que Jorge foi criado por sua avó que ocupa a figura maternal para o PM.
Jhordan Luiz de Oliveira Natividade tinha um ferimento por tiro nasobrancelha com possível saída na nuca.
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Os corpos das vítimas foram encontrados na Estrada de Xerém, Bairro Babi, em Belford Roxo na Baixada Fluminense. A localidade é classificada pela polícia como de área neutra. No entanto, o lugar é utilizado para acesso à Comunidade do Roseiral, dominada pelo Comando Vermelho, e aos Bairros Nova Aurora e Babi, dominados pela milícia.
Segundo depoimentos colhidos, os parentes de Jhordan chegaram ao local da abordagem policial, após rastrearem a motocicleta do amigo que emprestou o veículo para Jhordan e Edson. No local, a família colheu imagens de câmera de segurança e apresentou à polícia.
"Um cabo com cerca de 10 anos de serviço e um soldado iniciando sua carreira, por conta de uma ação impensada, estão presos preventivamente e podem ser expulsos, além de responderem pelo crime apontado na investigação da DH", afirmou Blaz.
Segundo Blaz, a área onde a ação aconteceu é considerada perigosa pelo 39º BPM (Belford Roxo). Porém, ressaltou que a condução do caso pelos policiais presos, foi errada.
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"Estamos falando de uma área vermelha, um local perigoso, dividido entre tráfico e milícia, onde tem assaltos e onde polícia costuma fazer abordagens. Trata-se de uma região violenta e de uma abordagem complicada. O que a gente vê no vídeo é a chegada da moto em alta velocidade e quase atropela o policial que de forma bem efetua o disparo. Não quero amenizar a situação, mas é preciso contextualizar. É um momento tenso".
O major Ivan Blaz confirmou que não houve qualquer forma de comunicação para os superiores e afirmou que o disparo não deveria ter acontecido.
O pai de Dinho, como Edson era chamado pelos amigos, foi amparado por amigos e parentes. "Desilusão, inferno feito. Me tiraram tudo que eu tinha. Meu filho está morto", desabafou Edson durante o velório. Emocionado, o pai não falou com a imprensa. "Pagamos imposto para o estado fazer isso", criticou durante o sepultamento.
Amigos vestiam camisetas com a inscrição "Eterno Dinho. Adeus amigos, para sempre vou lembrar de tudo que vivemos".
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A mãe de Edson, Renata Santos de Oliveira, de 40 anos cobrou Justiça e a exclusão dos militares da corporação. "Estou vivendo o que não desejo a ninguém. Estou enterrando meu filho", declarou.
"Não deram chance para o meu filho estar comigo hoje. A Justiça tem que ser feita. Eles (policiais) têm que permanecer presos e ser expulso da corporação", cobrou.
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A cuidadora de idosos diz que apela para que o caso não se repita. "Dois rapazes não podem andar numa moto só porque são pretos? Eles não estavam com nada. Eles foram covardemente assassinados. Temos que nos juntar para que não aconteça com outros filhos", declarou.