
"Sempre que acontecia um tiroteio na comunidade eu ia atrás do meu irmão. Como nossa mãe já faleceu, eu exercia esse papel na vida dele. Quando não conseguia ir buscá-lo, ele pedia para entrar na casa dos vizinhos que o conhecia. O policial falou que, infelizmente, ele estava no local errado, na hora errada. Nada justifica o que aconteceu. O que a gente mais quer é justiça”, desabafou. Uma outra irmã de Gabriel, que também é portadora de deficiência intelectual, chegou a desmaiar na porta do IML de Niterói.
A aposentada Maria Luiza Coelho, avó de Jefferson Bispo, de 15 anos, tratava o neto como filho. Apesar da pouca idade, Jefferson, com pais separados, já havia vivido com muitos familiares diferentes, e por isso a avó decidiu pegar a guarda oficial do jovem. A idosa de 62 anos disse ter sentido um aperto no peito ao escutar os tiros. Ela estava na paróquia da comunidade, onde faz trabalhos sociais.
"Eu ouvi os tiros e senti um aperto muito forte no coração. Olhei para o padre e disse: 'Padre, o Jefferson'. Sabia que tinha acontecido alguma coisa. É tudo muito difícil, eu não estou aguentando mais. Esse garoto era tudo pra mim", disse, emocionada. "Não sei o que vai ser de mim. Era eu e ele só. Eu queria ver se fosse os filhos deles (policiais). Está muito difícil".
PMs afirmaram em depoimento que foram recebidos a tiros na comunidade
De acordo com a Polícia Militar, uma viatura do 12º BPM (Niterói) patrulhava a região e foi atacada por homens armados. Houve o confronto e duas pessoas foram encontradas baleadas. A PM apreendeu uma pistola glock com kit rajada, uma granada e drogas. Maria Luiza Coelho, avó de Jefferson, afirma que ouviu de moradores que foram os policiais quem forjaram as armas e as drogas no local do crime.
Ainda segundo a Polícia Civil, os jovens não tinham anotações na polícia. Há apenas um registro de Jeferson, quando tinha apenas dez anos, por um furto num supermercado. O caso não é registrado oficialmente pela polícia como passagem porque o autor da infração é menor de 12 anos. "O Jefferson quando criança teve uma ocorrência na delegacia de Alcântara (72ª DP). Na época, a própria mãe fez a ocorrência lá. O outro rapaz, o Gabriel, não teve ocorrência".





