Polícia Federal: ação na Vila Cruzeiro ocorreu na manhã desta terça (15)Cleber Mendes / Agência O Dia

Rio - Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que a favela da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio, era essencial para um esquema milionário de tráfico internacional de drogas. O órgão apurou que a comunidade carioca era usada por narcotraficantes para armazenar cocaína que vinha da Bolívia e da Colômbia, para depois ser transportada para países da Europa.
Na manhã desta terça-feira, a Vila Cruzeiro foi um dos alvos da Operação Turfe, que tinha o objetivo de cumprir 20 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão. A ação foi deflagrada de forma conjunta com a Operação Brutium, que também tinha o intuito de reprimir o tráfico internacional de drogas. Juntas, as duas somaram 39 mandados de prisão.
“A comunidade atuou como armazenagem do grupo criminoso. Então, uma vez introduzida no Brasil, eles se utilizavam daquele local para o armazenamento da droga, para a segurança do armazenamento da droga, antes que pudesse ser feito o transporte para a Europa”, explicou o delegado da PF Heliel Martins, coordenador da Operação Turfe.
Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF e coordenador da Operação Brutium, o delegado Bruno Tavares, conta que as drogas, principalmente cocaína, chegam no Brasil de forma fracionada e depois de armazenada nas comunidades, eram colocadas em contêiners para serem exportadas.
Durante as investigações, os agentes perceberam que os criminosos tinham uma relação mais empresarial do tráfico de drogas e fechavam negócios com as principais facções do país, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), apenas para conseguir guardar essa carga ilícita.
“Com relação a logística em território nacional, como a droga era movimentada aqui, normalmente, por serem grandes quantidades de drogas, essas remessas nem sempre eram feitas de uma vez só. Então, a gente não vai detalhar mais nesse momento e vai seguir com relação a remessa dela para o exterior, porque isso já está bem claro, bem documentado e já foi divulgado. O modal que trabalhamos foi o marítimo, as remessas da inserção do material ilícito em conteiners para a Europa”, esclareceu Tavares.
Superintendente da Receita Federal, Flávio Coelho informou que essas drogas eram colocadas em contêiners regulares de forma ilegal.
“Nesse transporte existe a inserção da droga no contêiner, são operações de exportações regulares que são aproveitadas pelos criminosos para inserção dessa droga para parecer que iria disfarçar essa exportação irregular”, disse Coelho.
De acordo com as investigações, os principais destinos da cocaína eram a Península Ibérica e Países Baixos.
Além do Rio de Janeiro, também foram cumpridos mandados em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso, além de ações e alvos Paraguai, na Espanha e nos Emirados Árabes (Dubai).