Os técnicos estão atuando na contenção e recolhimento deste resíduo, mantendo o cerco instalado, para que não haja a dispersão para outras áreas.
"Nosso setor de emergências ambientais está focado na extinção dos resíduos oleosos e minimização de quaisquer impactos ambientais na área. As respostas rápidas que demos, assim que fomos acionados, foram essenciais para que essas manchas não atingissem uma área grande da Baía. Toda a mobilização acontece em parceria com diversos órgãos e empresas envolvidos no Plano de Área da Baía de Guanabara", explica o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
Desde o início da operação, o Inea adotou medidas preventivas, acionando, junto à Capitania dos Portos, o Plano de Área da Baía de Guanabara. Para os trabalhos, foram mobilizadas quatro embarcações de resposta, uma de supervisão e monitoramento, 2 mil litros de LGE (líquido gerador de espuma), além de 350 unidades de mantas absorventes, barreiras de contenção e absorventes.
Quanto aos efeitos na atmosfera, o Instituto possui uma estação automática de qualidade do ar na Ilha do Governador e continuará monitorando a situação no local. De acordo com os resultados apurados, aplicará as sanções cabíveis.
Incêndio mobilizou mais de 100 bombeiros
Mais de 116 bombeiros militares e agentes da Defesa Civil Estadual atuaram nas frentes de combate às chamas e no resfriamento das áreas próximas, para evitar a propagação do fogo. Os militares ainda realizavam o rescaldo na manhã deste domingo (9) para impedir a resignação das chamas já extintas na madrugada.
A operação mobilizou cerca de 20 unidades operacionais e mais de 30 viaturas, incluindo escadas e plataformas mecânicas, além de drones com câmera térmica, que auxiliaram no monitoramento das áreas mais quentes.
A Defesa Civil Estadual segue na coordenação da força-tarefa, montada pelo Governo do Estado, para acompanhar os trabalhos.
Moradores sofrem consequências do incêndio
Moradores relataram que, em meio às chamas vistas de longe, o forte cheiro de fumaça ainda se alastrou nos arredores, provocando ardência nos olhos, garganta e até enjoos.
Ao DIA, Cristina Bezerra, 67 anos, moradora do bairro Tauá, há cerca de 3km do local do incêndio, revelou que apesar de morar longe da fábrica, sentiu forte cheiro de queimado.
"Por volta das 20h sentimos forte cheiro de queimado, mas eu, particularmente, sentia um cheiro como de asfalto novo, não sei se tem a ver, mas era bem forte mesmo. Fechei a casa e coloquei os ventiladores para funcionar. Não ficou nada de cheiro dentro de casa. Mas hoje, com o tempo limpo, nuvens claras, senti o cheiro novamente. Bem mais fraco, por sinal", contou.
Nas redes sociais, internautas comentaram o susto. "Fiquei assustada com o cheiro de combustível aqui na Freguesia", escreveu um. "Cheiro de combustível chegou aqui nos Bancários e depois passou, é de assustar essa situação", lamentou outra.
"Ardência nos olhos e na garganta!", afirmou mais uma. O cheiro está forte demais, olhos ardendo e dor de cabeça. Eu tranquei a casa toda", complementou a colega.
"Senti um cheiro horrível aqui nos Bancários, fiquei com dor de cabeça vendo as coisas embaçadas e tinta, uma sensação horrível", finalizou uma moradora.
Devido aos transtornos, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os postos de saúde estão em prontidão para atender a população, caso haja necessidade devido à fumaça.
Moradores e instituição temiam possível explosão
O Movimento Baía Viva, uma organização não governamental, tem um inquérito de 2018 parado no Ministério Público do Rio (MPRJ) no qual faz um alerta sobre os riscos de desastres na fábrica da Moove. Em 2019, o DIA publicou uma matéria sobre o risco de tragédia na Ilha. Na época, o Movimento disse que a Ilha concentrava 33 pontos críticos das 92 áreas de riscos tecnológicos na cidade.
A situação é agravada, segundo eles, por instalações de elevado risco de acidentes, incêndios ou explosões devido a estocagem no solo urbano e em ilhas do seu entorno de material explosivo, inflamável ou tóxico e de depósitos de material bélico.
Na ocasião, o MP informou à reportagem que foi instaurado um inquérito civil para apurar "eventual omissão do poder público com relação ao tratamento de risco ambiental decorrente de eventual desastre tecnológico na Ilha do Governador". O MPE pediu informações de órgãos públicos municipais e estaduais, estando a investigação pendente da prestação de informações pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), pela Secretaria Municipal de Urbanismo e pelo Baía Viva.
Neste sábado (8), o Movimento Baía Viva disse que, neste mesmo processo mencionado, o Inea afirmou que as instalações da empresa eram seguras.
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