Greve de rodoviários afetou 23 linhas de ônibus na Zona Oeste, nesta terça (23)Reprodução

Rio – A greve de motoristas de ônibus das viações Palmares e Pégaso, iniciada na manhã desta terça-feira (23), terminou o dia sem um acordo com as empresas. Alegando atrasos de salário e benefícios como ticket alimentação, férias e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), os profissionais promoveram a paralisação de 22 linhas, que circulam pelos bairros de Sepetiba, Santa Cruz, Paciência, Cosmos, Inhoaíba e Campo Grande, na Zona Oeste.
De acordo com Sindicato de Rodoviários do Rio, os trabalhadores estarão nesta quarta (24), às 6h, de volta à garagem das duas empresas, na Avenida Cesário de Melo, em Cosmos, a fim de dar continuidade às negociações.
Embora a meta dos profissionais seja a quitação de todos os direitos, a principal reivindicação ao longo desta terça, especificamente, foi no sentido de pôr em dia, pelo menos, o ticket alimentação. Porém, não apenas para os motoristas, como proposto inicialmente, mas também para os 600 profissionais das empresas, incluindo, mecânicos, fiscais, dentre outros.
O sindicato acrescentou que negocia em busca de um acordo e também com o intuito de encerrar a paralisação para evitar que usuários sejam prejudicados.
Segundo a categoria, a nova greve ocorre porque não houve cumprimento de acordos firmados no último dia 11. Na ocasião, linhas da Viação Palmares deixaram de circular, além de outras sete da Paranapuã, que atende a Ilha do Governador, na Zona Norte.
Enquanto isso, Sebastião José, presidente do sindicato, ressalta que a tendência é de que mais greves aconteçam pelas mesmas razões futuramente: “São empresas que estão em recuperação judicial, com atraso de pagamento, no FGTS, no vale alimentação, férias... Uma série de irregularidades que culminaram nesta paralisação. E infelizmente, esta não será a única porque a crise no setor só piora. E os trabalhadores estão cada vez mais inseguros com o dia de amanhã. A situação é gravíssima”.
O Rio Ônibus, que representa as empresas, reforçou que “a negociação entre a empresa e os rodoviários segue em curso” e informou que a operação de coletivos se encontra reduzida nos bairros afetados.
Mais cedo, o Rio Ônibus também havia explicado que "o problema ocorrido é consequência direta de medidas impostas pela Secretaria Municipal de Transportes visando reduzir o pagamento de subsídio às empresas, descumprindo acordo judicial firmado recentemente, o que agrava o desequilíbrio econômico-financeiro do setor, resultando em paralisações nas empresas mais impactadas, que já estão em processo de recuperação judicial".
Procurada pela reportagem de O DIA, a SMTR destacou que o repasse de subsídios da Prefeitura do Rio aos consórcios está em dia. Um pagamento já previsto ocorreu nesta segunda (22) e, mesmo com os descontos aplicados devido à falta de climatização, o consórcio Santa Cruz (responsável pela operação de Pégaso e Palmares) foi o único a receber um complemento referente à constatação de contas de 2024, previsto em acordo judicial.
A pasta completa afirmando que esse mecanismo “corrige a diferença entre o valor projetado para custear a operação dos consórcios, considerando tarifa e subsídio, e o resultado efetivamente aferido”. A nota ainda reitera que a paralisação é uma questão “entre empregadores e funcionários da empresa de ônibus, e que a Prefeitura segue fazendo sua parte, pagando quinzenalmente o subsídio aos consórcios”.
Como alternativa, a SMTR recomenda que os passageiros utilizem o trem, vans legalizadas ou o BRT, que teve reforço na operação das linhas 17 e 67.
Alternativas de deslocamento:

- Campo Grande x Santa Cruz: linha 17 do BRT ou trem

- Campo Grande x Deodoro: linha 67 da Conexão BRT ou linhas 853 e SV853 (Terminal Deodoro – Terminal Mato Alto).

- Deslocamentos internos em Campo Grande e Santa Cruz: vans legalizadas
Linhas afetadas pela paralisação:
770, 771, 796, 798, 804, 807, 808, 809, 821, 822, 825, 833, 840, 841, 842, 849, 868, 869, 885, 892, 893 e 898.
Relembre outras greves
No último dia 16, motoristas de ônibus das empresas Real e Vila Isabel realizaram uma paralisação também devido aos atrasos no pagamento dos salários, férias, ticket alimentação, FGTS e pensão alimentícia. Ao todo, cerca de 24 linhas que atendem as zonas Norte, Sul e Centro tiveram a circulação suspensa.
Em 26 de agosto, funcionários da viação Três Amigos também entraram em greve e fizeram uma manifestação em frente à sede da empresa, em Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, sete linhas tiveram a circulação suspensa.
No dia seguinte, outra greve foi iniciada por motoristas da Transportes Vila Isabel, no Grajaú, Zona Norte, por causa dos mesmos motivos. O ato teve início por volta das 4h e chegou a afetar a circulação de quatro linhas. As atividades só foram retomadas após depósito do pagamento.
Na ocasião, as linhas que ficaram inoperantes foram 548 Botafogo x Alvorada, 433 Vila Isabel x Siqueira Campos, 432 Vila Isabel x Gávea e 439 Vila Isabel x Leblon.