Casarão na Rua Mena Barreto, nº 71, em Botafogo, na Zona Sul, está em péssimo estado de conservação Érica Martin/Agência O Dia

Rio - Um casarão interditado na Rua Mena Barreto, nº 71, em Botafogo, na Zona Sul, tem tirado o sono dos moradores da região. O imóvel, em péssimo estado de conservação, apresenta risco potencial de queda de revestimento sobre a calçada e até desabamento. Diante da gravidade da situação, a Defesa Civil do município mantém a área isolada com uma fita. Veja fotos.
Uma equipe de reportagem de O DIA esteve no local nesta sexta-feira (14) e conversou com moradores, que se mostraram apreensivos. Eles contam que o casarão está nessas condições há anos e que os proprietários ainda não tomaram qualquer providência para resolver o problema.

A advogada Eliete, de 59 anos, disse que entulhos já caíram do imóvel e partes da construção chegaram a parar no meio da rua. "Já denunciamos várias vezes. Os proprietários aparecem, mas não fazem nada. A prefeitura já veio algumas vezes e colocou área de interdição, mas, enquanto isso, os pedestres correm risco de serem atropelados porque precisam sair da calçada para passar ali", desabafa.

Segundo Eliete, o casarão fica próximo a um hospital pediátrico, outro especializado em cardiologia e um de oncologia, o que aumenta o fluxo de pacientes pela via. "Vemos muita gente passando aqui em cadeira de rodas, com carrinho de bebê, e todos são obrigados a ir para o meio da rua, correndo risco de atropelamento", afirma.

Em períodos de forte chuva, a preocupação aumenta. "Já teve uma chuva que fez parte da fachada desabar. Se vier outra, estaremos à mercê da sorte. É um risco porque a gente não sabe o que pode acontecer. Estão esperando uma tragédia para agir?", questiona.

O síndico aposentado Marco Antônio, de 77 anos, lembra que o casarão foi colocado à venda há alguns anos. Antes, funcionava no local um colégio. "Esse casarão está interditado há muito tempo e os donos moram em Portugal. Está perigoso, pode acontecer um acidente, pode cair uma telha... não sabemos. O imóvel está tão deteriorado que nem reconhecemos mais, era uma casa linda, um espaço muito bom", lamenta o morador.

Defesa Civil fez vistoria há quatro dias

A Defesa Civil municipal informou que o imóvel já passou por diversas vistorias, incluindo as mais recentes, realizadas na segunda-feira (10) e em junho. "Nesta nova avaliação, técnicos encontraram o imóvel sem reparos, com a fachada em avançado estado de deterioração e fissuras na alvenaria. Há risco potencial de queda de revestimento sobre a calçada. Por isso, a área foi isolada para proteger os pedestres", explicou o órgão.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que há um pedido de licença para demolição em andamento.
Câmara aprova intervenção da prefeitura em imóveis particulares
No último dia 30, a Câmara do Rio aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLC) 23/2025 que autoriza a prefeitura a intervir em imóveis particulares nos casos em que seja constatado risco estrutural pela Defesa Civil. A medida busca garantir a segurança da população diante de diversas ocorrências recentes de desmoronamentos de prédios antigos, muitas vezes em péssima condições por falta de manutenção.
A PLC foi aprovada em 2ª discussão, com emendas, e aguarda a sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes. Segundo a proposta, em caso de risco iminente de dano irreversível ou de difícil reparação e devidamente motivado, o Poder Executivo poderá tomar providências como a realização de obras de contenção, de reparos emergenciais e desfazimento de obras, sem a prévia manifestação do interessado.
Histórico de incêndios e desabamentos em casarões no Rio
Há um mês, um incêndio de grandes proporções atingiu um bar, uma farmácia e um sobrado residencial na esquina das ruas Mem de Sá com Gomes Freire, na Lapa, região central do Rio. Não houve vítimas nesta ocorrência.
Já no dia 20 de março, um outro casarão desabou na Rua Senador Pompeu e provocou a morte de Marcus Vinícius de Paula Nascimento, de 37 anos, que estava dentro de um veículo atingido por escombros. Os destroços ainda caíram em pelo menos três carros e derrubaram postes. O imóvel era uma propriedade privada abandona e, embora venha sendo intimado e notificado desde 2014 pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, o dono não tomou providências.
O edifício, que tinha três andares, sendo o primeiro destinado a lojas - que aparentemente não vinham sendo usadas - passou por vistorias da Defesa Civil em 2023 e 2024. Na última, em 17 de setembro, foi constatado que o imóvel apresentava ameaça de desabamento, com acelerado estado de degradação, quedas de revestimento, risco de desprendimento de rebocos da fachada e sem telhado.